Posts Tagged ‘Crônica’

Veríssimo: um gênio colorado

Saturday, December 5th, 2009

luiz-fernando-verissimo_atireiopaunogatoLuiz Fernando Veríssimo é mesmo um gênio! Sua última crônica, “Para voltar a crer”, publicada em vários locais, inclusive no Blog do Noblat, se traveste de uma profunda mensagem de repúdio às mazelas da humanidade e, ao final, deixa patente seu objetivo maior, a saber, uma “quase súplica” ao arqui-rival grêmio, para que ganhe o jogo contra o flamengo, amanhã, permitindo que o internacional, seu time do coração, tenha ainda alguma chance de ser campeão brasileiro. Vale a pena a leitura…rs…

Até que para um vascaíno, como eu, não seria uma má idéia….. então…… PRA FRENTE GRÊÊÊÊÊÊÊMIOOOOOOOOOO!!!!!!……….

HSF

Para voltar a crer

Não faltam motivos para descrer da Humanidade.
Vamos combinar que fizemos coisas extraordinárias, mas nossa passagem pela Terra não está sendo, exatamente, um sucesso.
Para cada catedral erguida bombardeamos três, para cada civilização vicejante liquidamos quatro, a cada gesto de grandeza correspondem cinco ou seis de baixeza, para cada Gandhi produzimos sete tiranos, para cada Patrícia Pilar dezessete energúmenos.
Inventamos vacinas para salvar a vida de milhões ao mesmo tempo que matamos outros milhões pelo contágio e a fome.
Criamos telefones portáteis que funcionam como gravadores, computadores — e às vezes até telefones — mas ainda temos problema com a coriza nasal.
Nosso dia a dia é cheio de pequenas calhordices, dos outros e nossas.
Rareiam as razões para confiar no vizinho ao nosso lado, o que dirá do político lá longe, cuja verdadeira natureza muitas vezes só vamos conhecer pela câmera escondida.
Somos decididamente uma espécie inconfiável, além de venal, traiçoeira e mesquinha.
E estamos envenenando o planeta, num suicídio lento do qual ninguém escapará. E tudo isso sem falar no racismo, no terrorismo e no Big Brother Brasil.
Eu tinha desistido de esperar pela nossa regeneração.
Ela não viria pela religião, que se transformou em apenas outro ramo de negócios. Nem viria pela revolução, mesmo que se pagasse para o povo ocupar as barricadas.
Eu achava que a espécie não tinha jeito, não tinha volta, não tinha salvação. Meu desencanto era total. Só o abandonaria diante de alguma prova irrefutável de altruísmo e caráter que redimisse a Humanidade.
Uma prova de tal tamanho e tal significado que anularia meu ceticismo terminal e restauraria minha esperança no futuro. E esta prova virá neste domingo, se o Grêmio derrotar o Flamengo no Maracanã.
Se o Grêmio derrotar o Flamengo, o Internacional pode ser campeão. Mas o mais importante não é isso.
Se o Grêmio derrotar o Flamengo mesmo sabendo as consequências e o possível beneficio para o arquiadversário, estará dando um exemplo inigualável de superioridade moral.
A volta da minha fé na Humanidade não interessa, Grêmio. Pense no que dirá a História.
Pense nas futuras geraçõ
es!”

Como Amarildo viu Ronaldo

Friday, July 10th, 2009

Pelo visto teve mais gente achando inusitada a entrevista do Ronaldo, o fenômeno, no programa “bem amigos”, na última segunda.

Um bom exemplo disso, foi a charge do jornal A Gazeta do dia 09 de julho, feita pelo craque Amarildo. Exatamente como deveria ser, a arte do chargista fala por si só.

Charge: Amarildo. "Os 3 (em 1) patetas"

Charge: Amarildo. "Os 3 (em 1) patetas"

Fenômeno jogando, desastre falando

Thursday, July 9th, 2009

Na última segunda-feira (06/07), se alguém passasse pela porta de meu quarto, à noite, certamente, concluiria que eu estava vendo o melhor programa humorístico de todos os tempos. Erraria! Eu estava vendo o programa “bem amigos” da rede Globo/SporTV, apresentado pelo polivalente Galvão Bueno. Então, do que é que eu e minha mulher ríamos tanto!? De Ronaldo, o fenômeno!…

Meu amigo, o cara é um fenômeno jogando bola (mesmo gordinho), mas dando entrevista, em programa ao vivo, é um desastre de grandes proporções.

Foram muitos os momentos hilários, mas aqueles realmente inesquecíveis foram quando Ronaldo começou a falar do Presidente Lula e sua paixão pelo Corinthians. Falou que foram à Brasília colocar a faixa de campeão no Presidente, foi quando Galvão perguntou a ele, o que é que Lula teria falado ao pé de seu ouvido, como mostrava uma imagem em video. Ronaldo desconversou, dizendo que não lembrava, até soltar a seguinte pérola: “…Lula disse que vai indicar várias empreiteiras para ajudar o timão...”. Santa Ingenuidade……rs….

Depois, colocado de novo na parede, disse que conheceu o palácio quase todo, acompanhado da primeira dama, Dnª Marisa, que até lhe apresentou orgulhosa “…a sua criação de porquinhos da Índia…”. KKKKKK…….(não vai aqui nenhuma crítica política e também nada contra a criação do Cavia Parcellus, mas não consigo imaginar a Dnª Ruth Cardoso, criando estes bichinhos no fundo do Palácio…rsrsrs…)

Aí para fechar com chave de ouro, o fenômeno resolveu sacanear a torcida flamenguista (vamos combinar: isso eu adorei!) colocando sob suspeita o método estatístico que nos tem dado conta de que se trata da maior torcida do Brasil. Galvão, chegou a gelar e se saiu logo com a idéia de que Ronaldo estava só “tirando onda”, de brincadeira. Que nada! Tava falando super sério e deve ter enfurecido os flamenguistas que já devem estar preparando uma “linda” recepção para ele, no Maraca, por ocasião do jogo Flamengo e Corinthians que ainda vai acontecer…

Ronaldo é um exemplo de atleta, de sucesso, de persistência e de vencedor. Não resta nenhuma dúvida! Particularmente, me diverti demais com a sua entrevista e com a forma despretensiosa com que lançava as suas idéias, como se ignorasse a enorme repercussão de tudo que se fala em programa de TV.

Mas, como ele passou a ser admirado por todo o mundo, jogando futebol, algo que nasceu para fazer, acho que deveria ser assim delimitada a nossa análise sobre o fenômeno, independente de bobagens fenomenais que tenha produzido, naquela famigerada noite do “bem amigos”.

Eu gosto do Ronaldo e torço muito por ele. Mas, que Lula deve ter ficado muito puto com ele, ahhh…isso ele ficou….rs…

PS: Alguém saberia onde e quando será a próxima entrevista do fenômeno, hein!?

HSF

Henri Cartier-Bresson e seu olhar único

Sunday, March 1st, 2009

bresson_leicaHoje tive o prazer de ler matéria/sinopse no caderno 2.AG de “A Gazeta”, muito bem escrita pelo jornalista Tiago Zanoli. Sob o sugestivo título “instantes decisivos” o texto trata da vitoriosa trajetória do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson, considerado um dos maiores fotojornalistas de todos os tempos (…para quem é fã dele, como eu, fica fácil afirmar que ele foi o maior!…).

A reportagem aborda parte da vida do fotógrafo, inclusive, quando se juntou a outros profissionais para fundarem a agência Magnum, uma das mais importantes centrais de material fotográfico profissional do mundo. Anuncia também a chegada de seu biográfico livro “Cartier-Bresson: O olhar do Século”, editado pela L&PM. Enfim, traduzido para o português, quase 10 anos depois de seu lançamento na França.

Sou tão apaixonado pela fotografia de Cartier-Bresson que, ao fundo de minha mesa de trabalho, na parede de minha sala, encontra-se uma de suas inúmeras obras-primas, que pode ser vista, logo abaixo:

bresson_arvores

Isso me faz lembrar um episódio acontecido lá na empresa, no final do ano passado. Fui visitado, por indicação de outro cliente, por uma tradutora francesa que, dada a complexidade da legislação tributária nacional, estava cheia de dúvidas quanto à sua declaração de imposto de imposto de renda deste ano.

Conversa vai, conversa vem e, uma coisa me intrigava. Aquela senhora não me olhava direto nos olhos, ficava olhando quase todo o tempo sobre os meus ombros (..como se estivesse admirando a fotografia de Cartier-Bresson). Aquilo era agoniante, mas segui em frente. Resolvida a questão técnica, já nas despedidas, a cliente deu asas à sua curiosidade e me fez uma pergunta intrigante, com aquele seu português “bastánt arrastadô”:

– Por que o senhor tem um poster de um fotógrafo francês (Cartier-Bresson) em sua parede e não o de um brasileiro, como Sebastião Salgado, por exemplo?

Respirei fundo antes de responder, pensando que esse tipo de coisa só acontece comigo, mesmo!. E disse:

– Ambos são excelentes fotógrafos (…gosto muito de Salgado também…), mas a minha escolha foi só por eu me identificar um pouco mais com o estilo de Cartier-Bresson.

– Ahannn……(esse “ahannn” dela já foi me olhando de lado e tom de repreensão…). Mas, o senhor deveria dar mais valor aos seus próprios artistas…

– A senhora de gosta de futebol?  Mas, gosta de verdade, mesmo!? (Perguntei, já ficando puto com a conversa…)

– Sim, “adorro”! A gente sempre ganha de Brasil, não lembra!? Hihihihi….. (aí, ela provocou….passou dos limites!)

– Então se a senhora fosse pendurar um quadro em sua parede, sobre craque de futebol, escolheria um de Michel Platini abraçado com Zidane ou um com o rei Pelé sozinho? (….maldade pura minha, né?! rrsrsrs…)

– Bom, nunca pensei sobre este assunto….. (desconversou, agradeceu e saiu, literalmente, à francesa).

Depois do acontecido, olhei de novo para a foto de Bresson e pensei que talvez eu tivesse exagerado um pouco na comparação com um puta fotógrafo como é Sebastião Salgado. Honestamente, não acho que tecnicamente sejam profissionais tão distantes assim. Só tem que Cartier-Bresson se imortalizou em função da época em que foram feitas as suas descobertas artísticas e em que mundo pôde ver sua indescritível sensibilidade registrada, de forma caprichosa e inédita, pela luz. 

Para um amante da fotografia, como eu, só o fato de eu poder ter sido “politicamente incorreto” com um conterrâneo da magnitude de Sebastião Salgado, tirou o meu sono. Por isso, tem dois meses que venho escolhendo uma de suas fotos, para ser mais um poster lá na empresa. Até abril, último mês para a entrega da declaração de imposto de renda de 2009, quero estar com a decisão tomada e com o quadro na parede. Por uma questão de consciência, vou fazer o “Cartier-Bresson” passar uns tempos na recepção e colocar o “Salgado” na minha sala. Quero só ver a “carra” da francesa, quando voltar lá para mais uma consulta tributária….

Curtam mais um pouco dos clássicos da obra de Henri Cartier-Bresson

 

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