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O “pancadão” de Prado

Friday, September 11th, 2009

Vai chegando feriado e minha mulher corre pra internet, tentando achar um local aprazível e acessível ($$$) de forma a que possamos ir levando a prole e, preferencialmente, na companhia de amigos, para valorizar ainda mais a viagem. Ela bem sabe que se não tomar a iniciativa, as chances de ficarmos enfurnados em casa é enorme. E se isso ocorrer o previsível será: eu lendo um livro ou no computador, ela na internet vendo qual roteiro teríamos deixado de fazer e as crianças, entre uma briga e outra, jogando Nintendo Wii, vendo televisão ou no computador. Para mim, um feriado perfeito! Para ela, infernal….rsrs…

PradoBahiaBalnearioGuaratiba_atireiopaunogatoSó que neste sete de setembro, pelo visto, chegamos meio tarde. Não haviam mais vagas nos melhores hoteis, das cidades litorâneas mais próximas, ao Norte (porque ao sul, a metereologia previa chuva intensa). No entanto, em Prado (BA), havia ainda uma exceção, num tal de Hotel Villagio Guaratiba Resort. Seriam 5 dias, com café da manhã, para 4 pessoas (2 adultos e 2 crianças) por apenas “seiscentos real”??? Quando todo mundo se animou, eu fiquei com o meu bom e velho pé atrás. O hotel em Prado, mais barato, que não tinha mais vaga, nas mesmas condições, custava o dobro. Aquilo era bom demais para ser verdade.

Mas, a viagem se concretizou mesmo, quando um casal amigo (com suas duas filhas), adorou a idéia de ir a Prado (BA) conosco, pagando tão pouco. Pronto! Risco de ficar em casa, já não se corria mais. Minha mulher respirou fundo, preparou as malas (pelo volume, parecia que ficaríamos 40 dias e não 4…rs…) e traçamos o roteiro. Lá estava eu na estrada de novo (uma sina, pra quem detesta dirigir!). Até que, desta vez foi mais tranquilo, pois este meu amigo, pelo visto, não gosta muito de correr. Ele andava tão devagar que fiquei com medo de chegar a Salvador antes de Prado…..sacanagem, hein!? rsrsrs…Mas, no fundo, todos gostamos da providencial lerdeza do carro da frente.

PradoBahiaPraiaGuaratiba_atireiopaunogatoPouco mais de 7 horas depois (435 Km), chegávamos num portal, não tão digno assim de um Resort, mas o importante é que estávamos lá. Fizemos check in e fomos conhecer os quartos. No caminho (da recepção até os quartos), havia um ar de suspense misturado com abandono. Bonito o lugar era, não posso negar. Mas algo fazia parecer que aquilo era uma pegadinha ou algo assim. Era como se uma banda de música fosse surgir do nada e todo mundo em volta começava a rir da gente, sei lá….

O quarto, mesmo sendo de uma simplicidade espartana, não chegava a atrapalhar a nossa permanência. Logo de frente, uma piscina límpida e azul, só para nós, constrastava com a pobreza da TV 14″ (se bobear aquilo não chegava a 10″…rs.).

Enquanto todo mundo “engolia as orelhas” de felicidade com o achado e se considerando super espertos na escolha do local, eu, que sempre fui o “pessimista” de plantão, ainda não estava plenamente convicto daquilo que eu estava vendo. Mas, nada demais aconteceu naquela sexta-feira à noite. Fomos jantar e depois dormir. Um silencio maravilhoso. É…parecia mesmo que daquela vez, meus receios preconceituosos com coisa muito barata, eram infundados.

Na manhã seguinte, por volta das 9 horas, fui acordado com uma espécie de vibração estranha na cama. Era como um tremor nível 3, na escala richter, em ritmo baiano. Depurando a avaliação, percebi se tratar de música e bem alta. Coloquei a cara na janela e me deparei com uma cena deplorável: dois carros velhos e enferrujados, estacionados de ré, com o porta-malas aberto e com caixas de som “tamanho família” poluindo o ambiente com um Funk da pior qualidade (peraí: existe funk de boa qualidade??). Na nossa frente, um churrasco comendo solto, vários casais dançando e se divertindo a valer. A piscina, outrora “lagoa azul”, agora estava mais para “piscinão de Ramos”. A cor da água mudou de um azul celeste para um verde amarelado (…xixi, claro…), com aquele “mundo” de crianças pulando e jogando bola dentro. A pergunta era: de onde surgiu toda aquela gente?

Quando deu 20 horas e nossos ouvidos não aguentavam mais, fomos reclamar. A pessoa (ir)reponsável disse que “tomaria as providências, imediatamente”. Só que como esquecemos de perguntar quais, não adiantou nada. A pauleira só foi acabar pouco mais de meia-noite, quando a birita e os biriteiros se esgotaram. Conseguimos dormir.

No dia seguinte de manhã, tão-logo acordamos, com o mais perfeito e alto som do “Tigrão”  “…tapinha não dói…”, saímos de carro, pelas redondezas a procura de um outro refúgio. A gente já estava até disposto a acampar, se fosse necessário, mas no mais sagrado e profundo silêncio.

Foram várias as tentativas até que encontramos um simpático, honesto, bem administrado, organizado, bonito e equipado Hotel Villa Esmeralda, na mesma praia de Guaratiba, em Prado(BA), a uns 1.000 metros daquela balburdia populaça. Voltamos e demos a ótima notícia aos familiares, até então, isolados em seus módulos habitacionais.

Malas prontas, nem pensamos duas vezes, os oito “burgueses” tiveram de passar em meio àquela confusão toda, numa notória cena que mais parecia uma fuga. Aliás, era mesmo uma fuga. Parecia até a corte portuguesa fugindo de Lisboa, para o Brasil, em 1808, enquanto às tropas napoleônicas invadiam aquele reino….rsrs…

Mesmo, em meio ao “erudito” e alto som de “créu, créu, créu, créu, créu, créu….”, pude perceber os olhares e comentários de desaprovação da galera. Meu filho, de 11 anos, chegou a ganhar o nobre apelido de “riquinho”, quem dera fosse fundado.

No novo hotel, estávamos no paraíso! Nos divertimos bastante e, depois, rimos de tudo aquilo que havia acontecido. O engraçado e curioso é que nós oito, crianças e adultos, não conseguíamos pensar em outra coisa, senão “sumir” daquele lugar insuportável, lotado e barulhento. Só sossegamos quando conseguimos o feito!

Nunca, em toda a minha vida, demonstrei qualquer tipo de preconceito contra credos, raças ou condição socioeconômica  É evidente que aquelas pessoas que chegaram no dia seguinte e que nos haviam “subtraído” “nossa” tranquilidade, eram de um patente baixo poder aquisitivo. Pobres, mesmo! Mas, não foi isso que nos fez querer sair de lá. De jeito nenhum. Foram as atitudes daquelas pessoas. Aí, sim, rechaçamos aquele grupo que nos deixava, fácil, na condição de minoria.

Aquelas atitudes não eram populares, mas de extremo mau gosto e de uma absoluta falta de educação. Uma total inexistência de senso mínimo de convivência em grupo. Querer que nós tentássemos “acostumar” com aquelas práticas era o mesmo que tentar misturar água e óleo. Eu diria: missão impossível.

Dia seguinte passamos em frente ao antigo hotel e, como imaginávamos, o show de funk, a céu aberto, continuava a todo vapor e a rapaziada “descamisada” dançando, pulando, bebendo, gritando e morrendo de rir da vida. Acho que eles nem mais lembravam daquela gente “metida” que no dia anterior saiu fugida dali, se negando a participar daquela “mistura” de gostos e tipos sociais.

Naquela noite, sozinho, tomando um belo tinto, deitado numa espreguiçadeira branca ao lado de uma enorme piscina que refletia uma suntuosa lua cheia e um singular céu estrelado, ousei interromper aquele caro e disputado silêncio, com um pensamento muito confortador, em que eu agradecia (não me pergunte a quem? rs…) por estar lá, naquele lugar e naquele momento, com a minha família e com ótimos amigos. De olhos fechados e sorriso no rosto, tomei meu último gole de vinho e antes de pegar no sono, pensei: “….não podia mesmo ter sido diferente!…” .

HSF

Capixaba: muito orgulhoso de sua terra

Wednesday, March 18th, 2009
Moqueca Capixaba

Moqueca Capixaba

Perdi as contas das vezes em que, em pleno horário nobre na rede Globo, a programação era recheada com uma propaganda do Estado da Bahia. Eu, daqui do Espírito Santo, sentadinho na minha poltrona, acabava vendo as “maravilhas” (indiscutíveis, a bem da verdade!!!…) de meu querido Estado vizinho, só porque havia, por parte daquele Governo Estadual, primeiro vontade política e, depois, orçamento, para esbanjar “baianidade” por todos os recantos do país. Resultado: pintou feriado, pra onde a gente vai, hein!? Pra Bahia, é claro! É Salvador, Morro de São Paulo, Prado, Caravelas, Porto Seguro, Cumuruxatiba, Ilhéus e por aí vai….

Olha, a Bahia é mesmo um espetáculo de belezas naturais e de potencial turístico, aliás, acabo de voltar de lá (vou comentar isso em algum outro post…rs…), mas o Espírito Santo, com sua diversidade cultural e típica culinária, não fica, de forma alguma, atrás no que tange ao turismo, incluindo-se uma outra imensa vantagem que é a sua reduzida extensão, o que representa uma efetiva facilidade e economia a mais para o turista que pretenda conhecer as belíssimas praias de nosso Estado, mas também queira ter contato com as nossas montanhas e suas tradicionais culturas descendentes (Itália, Alemanha, Austria, etc…). Riquezas turísticas ímpares, completamente distintas e separadas, muitas vezes, por apenas 30 minutos de carro.

Sempre bati na tecla de que nosso Estado merecia, por seus méritos geográficos e pelo povo acolhedor que tem, uma atenção e um investimento maior na divulgação de suas belezas com vistas ao desejável incremento de seu movimento turístico, hoje, ainda incipiente, pode-se assim dizer…

Não sei quais ações têm sido tomadas no que tange à divulgação atual de nosso Estado por aí afora mas, internamente, o Governo Estadual (Paulo Hartung), através de sua Secretaria Estadual de Turismo (SETUR), teve a oportuna e louvável iniciativa de produzir uma peça publicitária de ótimo gosto e inigualável qualidade, só para divulgar o nosso Estado para o próprio capixaba que, a considerar pelos apelos e assédios vizinhos, acabava por esquecer de fazer turismo na sua própria terra.

Agora, fico todo “bobo” quando vejo, no intervalo do Jornal Nacional, entrar a peça denominada “Aviso aos viajantes: descubra o Espírito Santo“. Tenho certeza de que, com isso, muita gente vai passar a redividir o seu orçamento familiar destinado às viagens, reservando um pedacinho para as nossas maravilhas, tais como: Vitória, Vila Velha, Serra, Guarapari, Marataízes, Anchieta, Nova Almeida, Santa Teresa, Domingos Martins, Pedra Azul, Itaúnas, Linhares e tantos outros pontos que fazem deste Estado um dos mais bonitos do Brasil.

A propósito, ainda que já seja óbvio, o capixaba a que se refere o título deste post sou eu mesmo!

HSF

OBS: Adoro Moqueca. Sabe por que eu não falei “moqueca capixaba“? Por que seria a mais absoluta redundância….rsss…..Se é “moqueca, só pode ser capixaba porque o resto é peixada”, plagiando e homenageando o autor desta importante observação, Cacau Monjardim. (Nada contra o dendê e o leite de côco, mas aquilo pesa tanto na barriga que, ao invés de sobremesa, você só consegue pensar em uma rede para se recuperar…)