O “garimpo” na política

Como já tive a oportunidade de dizer em outro post (“política para quem precisa de política“), a política passou pela minha vida deixando muitas marcas, algumas delas, de necessário esquecimento, outras, todavia, de prazerosa lembrança, principalmente, aquelas relacionadas a pessoas especiais que tive a oportunidade de conhecer.

É como costumo dizer: na política, a gente encontra 1 milhão de motivos para se aborrecer, se decepcionar, conhecer o lado perverso das pessoas, tomar conhecimento de “esquemas” que, em geral, aquele cidadão “mortal” nunca chegará perto de conhecer.

Mas, como tudo, tem o lado bom. É o de conhecer gente de características singulares, de poder ajudar um desconhecido ou necessitado, fiscalizar o uso do erário, deixar sua marca em alguma lei, que de fato, mude para melhor a vida das pessoas ou mesmo, na realização de alguma conquista, junto a uma comunidade carente. Por tudo isso, para quem tem no sangue o gosto pela função pública, aquele milhão de motivos vira pó. É o permanente garimpo que deve ser feito no dia a dia de quem lida com a política. O ouro, embora bem escondido, está lá o tempo todo. Basta a gente localizar…

Pois um sujeito que pude ter a honra e a satisfação de conhecer e conviver, durante aquela famigerada campanha de 2002, foi o jornalista Joaquim Nery. Figura ímpar, de temperamento explosivo, leal, de senso de humor refinado e, muitas vezes, até ácido. De uma competência profissional inquestionável, com um texto envolvente e, em se tratando de política, normalmente, impiedoso com seus adversários.

Eu e Nery, tivemos momentos, realmente, riquíssimos durante o tempo em que criamos e gravamos nossos programas políticos. Dos recursos “espartanos” que tínhamos, posso dizer que fizemos milagres para que fossemos ao ar com conteúdos até muito elogiados, para a expectativa que muitos tinham. Tomamos bons vinhos e demos muitas gargalhadas juntos, rindo daquilo que, talvez, faria qualquer outro candidato ao governo do estado perder o sono. Mas, nós não! Sermos os “azarões” tinha as suas vantagens…

A empatia com o Nery foi imediata. O que mais me admirava nele é que, pagasse o preço que fosse, não mudava de lado, só porque a imprensa ou algum grupo estava “pichando” seus “amigos”. E que altos preços ele costumava pagar, em nome desta fidelidade.

Pouco tempo depois de finalizada a campanha, nunca mais ouvi falar do “famoso” Nery, ainda que eu sempre perguntasse por ele. Raramente, ouvia falar de seus “rastros”, através de amigos comuns, mas me comunicar como, se não sabia seus telefones, e-mails, etc…

Um belo dia, passando pela salinha VIP (…de ótimos vinhos, é claro!…) do Supermercado Carone, da Avenida Rio Branco, avisto uma figura que não poderia ser outra, senão o próprio Nery. Na mesma sala, em outra mesinha, estavam também meus conhecidos, o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Anselmo Tose e o Deputado Federal Dr. Lelo Coimbra (PMDB). Não perdi tempo: adentrei a sala e falei em voz alta: “…vou pedir licença para falar com a maior autoridade deste recinto!..”. Anselmo e Lelo, como era de se esperar, chegaram a abrir um sorriso e estender a mão para o esperado cumprimento, mas eu me dirigi mesmo foi ao amigo Nery, que há 8 anos me devia a satisfação de boas estórias e inesquecíveis risadas. Depois, pedi desculpas aos outros dois pela “gozação” e fui até eles para cumprir o natural ritual de respeito à liturgia dos cargos que ocupam, além de serem pessoas das quais nutro uma especial admiração.

Lá, já sentado na mesa, conversamos bastante mas, nem de longe, tudo aquilo que ainda precisávamos colocar em dia. E se não fosse o Nery que conheci e aprendi a admirar, eu não teria, logo de cara, tomado um puxão de orelha: “….você é mesmo um cagão! Tinha talento e tudo para arrebentar na política, mas amarelou!…“. É….talvez ele até tenha razão, não tanto pelo “talento”, mas por eu ter “amarelado”. Não deixa de ser uma tese válida, não é mesmo!? rsrs….

Depois de muito tempo, nos prometemos novo encontro, regado a vinho, naturalmente. Ainda não aconteceu, mas pelos e-mails que já trocamos, posso considerar que “recuperei” o contato com esta pessoa que tanto considero.

Neste final de semana, revirando meus alfarrapos, encontro uma foto histórica que tirei com o Nery, em 2002, logo após uma gravação de programa eleitoral, em frente ao estúdio. Foi o suficiente para relembrar das inúmeras passagens antológicas daquela “aventura eleitoral”, quase dantesca. Foi o bastante para eu querer prestar uma singela homenagem a quem merece muito mais. Àquele que, pela simplicidade e retidão, para mim, de fato, se tornou uma autoridade.

Um abraço, Nery! Não se esqueça de nosso vinho…

HSF

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Joaquim Nery e Haroldo Santos Filho

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4 Responses to “O “garimpo” na política”

  1. Nesrtor Camillo de Oliveira Neto says:

    Parabens Haroldo, vc se superou, mas o Nery tem razão vc amarelou, tem tudo para ser o lider da nossa geração e fica esperando não sei o que, mas parabens assim mesmo, vc merece.

  2. Olá Nestor! Obrigado, mais uma vez por sua visita. Você é suspeito pra elogiar….rsrs…não vale! De toda forma, agradeço muito pela participação. Tenho gostado muito de uns e-mails que tem enviado para minha caixa postal……alguns, inclusive, com a sua devida autorização, vou publicar aqui pelo blog, ok!? Abração e obrigado mais uma vez! HSF

  3. Gerusa Contti says:

    Olá Haroldo!

    como você tive a felicidade de conhecer esta figura impar não só na política mas também compartilhar muitos outros momentos com ele. Comecei fazendo campanha com o Nery assim que terminou a tal lei Falcão, lembra? Do candidato só aparecia a foto e um locutor falando em off, geralmente com uma voz cavernosa (retrato da época) A primeira campanha de TV foi a do Hermes laranja, e Nery era o coordenador da campanha (pauteiro, redator,editor… etc, etc, etc…) e eu era a repórter. trabalhavamos praticamente 24 horas por dia. dormir? pra que? temos uma campanha para ganhar! e ganhamos, ou melhor ele ganhou. Depois desta fiz muitas outras campanhas com ele e como você tive a oportunidade de dar boas gargalhadas e tomar bons vinhos. (coisas que fazemos até hoje) Por todas essas razões achei sua crônica muito pertinente. qualquer pessoa que fale sobre campanha política neste estado, com certeza não poderá esquecer esse nome. Salve o “nosso amigo!” Abraços gerusa Contti

  4. Olá Gerusa, que bom você ter visitado e participado com suas observações de nosso espaço “cibernético”…rsrs….
    Agradeço muito pelas suas palavras e nem precisamos de muito esforço para sabermos que somos, ambos, fãs do Nery. Vamos marcar um vinho a três, pois boas gargalhadas e vinho é um programa do qual não costumo ficar de fora….rsrs…Um grande abraço. HSF

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