Archive for the ‘saúde’ Category

Um par de tênis e nada mais (Marcio Caparica)

Friday, September 28th, 2012

 Um par de tênis e nada mais

Nosso repórter viajou aos Estados Unidos e tirou a roupa para participar de uma prova pelado. Nada de pudor, número de peito ou frequencímetro. Só muito balanço e diversão em uma corrida na qual short e camiseta não têm vez. Dispa-se dos preconceitos e saiba tudo que acontece quando se corre usando apenas um par de tênis

Por Marcio Caparica | Fotos Kirill Tokarev | Ilustrações Thales Molina

Redação engajada, essa da RUNNER’S WORLD Brasil. A turma costuma viver na pele as reportagens que publica na revista. A editora Patricia Julianelli fez três meses de tratamento para melhorar sua postura e contou para os leitores o efeito do experimento em sua mecânica de corrida. O diretor Sérgio Xavier descobre as corridas mais lindas do mundo vestindo a camisa da revista. O repórter Bruno Favoretto, que perdeu o movimento das pernas em um acidente há 12 anos, começou a correr por meio de um projeto da RUNNER’S e no ano passado completou a Maratona de Nova York em cima de sua cadeira de rodas.

Até que um dia a editora-assistente Julia Zanolli me perguntou: “Marcio, você não quer aproveitar sua viagem para os Estados Unidos e participar de uma corrida pelada para a gente?” Eu planejava cruzar a América de bicicleta e topei o desafio na hora. Essa pauta circula na redação desde o lançamento da revista, esperando a oportunidade certa e um repórter despudorado o suficiente para levar a ideia adiante. Encontramos uma prova que coincidia com a data da minha viagem — e eu não tenho qualquer problema em correr sem roupa. Tudo convergiu para fazer esta matéria acontecer. No meio de tanta gente dedicada, como dizer não?

Como viemos ao mundo

A tarde estava ensolarada quando peguei um táxi até o local da prova, próximo à cidadezinha de Palmerton, na Pensilvânia (EUA). O motorista, ainda no meio do caminho, comentou: “Sabe que tem um resort onde todo mundo fica pelado nessa região aonde você está indo?” “Sei”, respondi. “E é para lá mesmo que nós vamos.” O rapaz arregalou os olhos e dirigiu visivelmente tenso pelos 20 minutos seguintes, até chegarmos ao nosso destino.

A prova escolhida foi a Bouncing Buns (“bumbuns balançantes”, em tradução livre), uma corrida de 7 km em trilha que acontece anualmente dentro do resort nudista Sunny Rest. Em 2010, na primeira edição da prova, foram 20 participantes. Dois anos depois, já éramos 161 corredores. Para não ser pego de calças curtas no dia da corrida, decidi chegar ao hotel um dia antes, a fim de garantir que estaria lá na manhã do evento. Quando o táxi chegou ao resort, pelados e peladas de todos os tipos e tamanhos curtiam o dia de calor ao redor da piscina. O motorista não sabia para onde olhar. Aceitou o pagamento com pressa, me deu o recibo já pisando no acelerador e foi embora sem olhar pelo retrovisor.

Fiz check-in ao lado de um casal que, sem roupa, tranquilamente comprava um refrigerante. O resort é grande, com extensos gramados, vários bosques, muitos trailers e nenhum pudor. Fui me instalar na área de camping e 20 minutos depois, com colchão inflável, saco de dormir e mochila guardados dentro da minha barraca para uma pessoa, dei adeus às vestimentas. A primeira coisa que fiz foi passar protetor solar por todo o corpo. Com uma toalha no braço (essencial para quem vai ficar sentando pelado por aí), óculos escuros na cara e chinelos nos pés, fui para a piscina aproveitar o resto da tarde. Não senti vergonha ao ficar nu, só um estranhamento por estar sem roupa fazendo coisas que normalmente costumo fazer vestido.

Depois de entrar no clima “menos é mais”, nadei, tomei um pouco de sol e comi um hambúrguer no bar. Ao meu lado, um coroa nu como veio ao mundo garantia a música ao vivo, dando novo significado para o termo “um banquinho, um violão”. No começo da noite, juntei-me a um grupo de dez ou 12 naturistas que já estavam havia algumas horas na jacuzzi. Lá, conheci um rapaz que também tinha ido ao resort para participar da corrida e, melhor ainda, já tinha feito a prova antes. “Você tem algum conselho para dar?”, perguntei. “Sim”, ele respondeu, sério. “Cuidado pra não cair.”

Por que correr pelado

Os naturistas são um grupo de pessoas que acreditam que fazer as coisas pelado permite que você tenha um contato mais próximo com a natureza. Então eles nadam pelados, jogam vôlei pelados, comem pelados, cantam pelados, jogam dominó pelados, veem filmes pelados, jogam tênis pelados, dançam na discoteca pelados… Então, por que não correr pelado? A quantidade de atividades que o resort oferece para você fazer sem roupa é impressionante. Só não pode encostar um no outro. Por mais que o senso comum pense o contrário, entre os naturistas a nudez não é encarada como uma coisa sexual.

As naked runs, ou corridas sem roupa, são realizadas em várias partes do mundo: lugares como Austrália, Inglaterra, Canadá, Finlândia e Espanha. Mas a grande maioria delas acontece nos Estados Unidos, onde esse tipo de prova já existe há muitos anos. Normalmente são percursos curtos e não é obrigatório correr pelado, embora a maioria dos atletas deixe shorts e camisetas de lado para participar. Segundo a Federação Brasileira de Naturismo, não existe nenhum evento desse tipo no país.

Número de pernas

O dia da prova amanheceu lindo e ensolarado. Era hora de testar se para correr você só precisa de um par de tênis — e nada mais. Sem roupa já há 15 horas, calcei meu pisante e fui me preparar para a corrida. Para começar, passei mais protetor solar, principalmente nas áreas tradicionalmente menos expostas ao sol. Depois, muito repelente contra insetos. Com tanta natureza ao redor, não queria acabar cheio de picadas, muito menos em regiões mais sensíveis. Para finalizar, vaselina entre as coxas para evitar assaduras. Pensei bem e resolvi aplicar porções generosas em todas as outras dobras das pernas para evitar o atrito. Depois de colocar os óculos escuros, percebi que não tinha onde prender o MP3, então fui sem música mesmo.

A inscrição para a prova começou às 9 da manhã, 1 hora antes da largada. Assim que dei meu nome e paguei a taxa, fui reconhecido como “aquele repórter brasileiro da RUNNER’S que está ligando para cá há semanas”. Virei uma minicelebridade “Então você vai correr sem nada, né?”, perguntou Ron Horn, o organizador do evento, rindo. Com uma caneta, ele escreveu na minha coxa esquerda o número de inscrição. Afinal, não daria para prender o número de peito em lugar nenhum.

Espalhados pelos gramados ao redor da concentração para a largada, dezenas de participantes se aqueciam para a prova. Alguns homens usavam suporte atlético (uma espécie de cueca mais cavada que ajuda a manter as coisas no lugar), algumas mulheres vestiam tops, mas a imensa maioria dos atletas estava completamente nua, não usavam nem a faixa de peito do frequencímetro. Corredores de todas as idades, quase todos homens, faziam tiros, conversavam entre si e se alongavam. Ah, o alongamento. Se você já ficou constrangido ao se inclinar para esticar as pernas, imagine o que é tentar alcançar os dedos dos pés sem nada para cobrir as nádegas.

Às 10 da manhã, debaixo de um sol ardido, todos os corredores se aglomeraram em frente à linha de partida, tentando ao máximo manter uma distância respeitosa uns dos outros. Mr. Horn fez um pequeno discurso sobre o recorde de participantes naquele ano, deu instruções sobre o percurso e anunciou a todos a presença do repórter da RW. Nada de tiro para anunciar a largada: em uma corrida como essa, o sinal para começar a correr foi dado quando o organizador abaixou as calças e disparou o cronômetro oficial. Lá se foram os bouncing buns.

Balança mas não cai

Inevitavelmente, a primeira coisa que você repara em uma prova sem roupa são as bundas. Dezenas e dezenas de bundas sacolejando à sua frente. Bundas grandes, bundas pequenas, bundas lisas, bundas peludas, bundas moles, bundas duras, bundas bronzeadas, bundas brancas, bundas com celulite, bundas sem bunda. Uma fileira de bundas a perder de vista. É tanta bunda que você às vezes se esquece do esforço que está fazendo para correr. Eventualmente, você é ultrapassado por uma mulher, mas a presença delas nesse tipo de prova é menor. Então você vê peitos, peitinhos e peitões, empinados e caídos, balançando a cada passada.

O trajeto era uma pirambeira. Os 7 km do percurso serpenteavam por todo o resort, começando no asfalto, mas logo subindo ladeira acima para entrar nos bosques. Aí o conselho do meu colega de jacuzzi fez sentido. Para este corredor urbano, acostumado com as poucas surpresas do asfalto, correr pelos desníveis de uma trilha entre árvores chega a ser uma experiência tão inovadora quanto correr sem roupa. Foram quase 4 km mato adentro. Cada tropeço numa raiz da trilha me fazia suplicar em silêncio para não rolar ladeira abaixo e me ralar dos pés à cabeça — literalmente.

Os quilômetros finais eram asfaltados, então a principal preocupação passou a ser o calor. O suor escorre e pinga livremente corpo abaixo, sem um elástico de short para detê-lo no meio do caminho ou uma peça íntima que o absorva. Não chega a ser desconfortável, mas é algo inédito. Peço perdão aos leitores e leitoras mais sensíveis para descrever outra sensação inédita. Normalmente, um homem se esquece do amigão lá embaixo durante a corrida — ele fica guardado, preso e protegido. Já numa corrida sem roupa, a história é outra. Nosso companheiro, livre e solto, se faz lembrar o tempo todo, saltando da esquerda para a direita nos trechos planos, pulando para cima e para baixo nas subidas e descidas. Doloroso? Não. Inesquecível, com certeza. Sempre entre as coxas, as bolas não chegam a ser um problema, mas agradeci o tempo todo pela vaselina extra que tive o bom-senso de aplicar.

Prêmios sem-vergonha

Ao fim de 43 minutos de corrida, cruzei a linha de chegada. Sem chip nem qualquer outro tipo de medição eletrônica, os organizadores conferiam os números nas coxas de quem chegava e gritavam o tempo para que outra pessoa anotasse. No resultado oficial do evento, apenas os nomes dos participantes, nada de sobrenomes. Depois da dispersão, os atletas trocavam impressões sobre a prova, tomavam isotônico, comiam frutas e comparavam resultados. Tudo muito parecido com uma prova de corrida tradicional, exceto pelo fato de que todo mundo estava pelado. O barato da serotonina, a satisfação de sentir o sol batendo no corpo todo, a alegria por ter completado uma prova tão divertida e o alívio de terminar a corrida ileso. Todas essas sensações compunham o clima festivo do pós-prova. Como a corrida era pequena, posso afirmar que todas aquelas pessoas estavam felizes, alegres por terem cruzado a linha de chegada e agora estarem compartilhando a experiência com outras pessoas com o mesmo alto astral.

Algumas horas mais tarde, na beira da piscina do hotel, os atletas se reuniram para a entrega dos prêmios, ainda com os números pintados nas coxas. Microfone em uma mão, resultados na outra, chinelos nos pés e nada mais pelo corpo, o organizador Ron Horn entregava troféus — um bebezinho engatinhando, pelado — para os participantes mais velozes de cada faixa etária. E previa, animado, que no ano seguinte eles haveriam de chegar a 200 competidores. Contente, agradeceu minha presença e me convidou a retornar no ano seguinte, algo que, sinceramente, eu adoraria fazer. De lembrança, ironia das ironias, ganhei uma camiseta da prova.

link original: aqui

Malditas e amadas muletas

Tuesday, May 15th, 2012

Tinha acabado de ser apresentado pelo mestre de cerimônia, como o palestrante da noite em um encontro profissional que ocorria em Macapá(AP). Antes de me dirigir ao palco e iniciar a exposição dei aquela conferida no bolso para ver se achava um crucifixo que sempre portava em momentos assim. Tomei um susto ao perceber que aquele meu “amuleto da segurança” não estava ali comigo. Apesar da inicial gaguejada, embaralhada nas idéias e um suor frio que me acometeu, precisei de alguns minutos para cair na real de que a palestra tinha de acontecer, com ou sem meu crucifixo. No final, deu tudo certo, mas não pude deixar de perceber como eu estava “dependente” daquele objeto.

Dia desses planejava um treino de corrida bem interessante para realizar no dia seguinte. Seria um trotinho leve e despretensioso, de uns 10 a 12 Km, com uma freqüência cardíaca confortável, ou seja, a uns 60% da máxima. Amanheceu um dia lindo! Peguei meus inseparáveis equipamentos de corrida, o monitor cardíaco e o ipod, e fui para a rua.

Alonguei e iniciei o treino. Mas, com menos de 10 minutos, percebi que o meu monitor (relógio) não marcava mais minha FC, nem velocidade. Parou! Frustrante! Continuei meio sem graça, mas continuei. E, antes mesmo de chegar aos 3 Km, fez-se um desolador silêncio nos meus ouvidos, bem no meio do “runnin’ with the devil”, do Van Halen (ouça a música no player abaixo do post). O ipod acusava a falta de bateria. Como pude ser tão negligente?!….rs

Pronto! Tal qual havia ocorrido naquela palestra em Macapá (AP), me vi desprovido de meus amuletos, com os quais havia me acostumado a curtir a corrida, durante muito tempo. Era o manco sem as suas muletas. O que fazer? Continuar a corrida como se nada tivesse ocorrido ou parar? Decidi continuar, mas com uma tremenda má vontade e com a certeza de que nem chegaria ao fim. Precisei de uns 5 Km para, enfim, voltar a ter prazer na corrida, ouvindo a minha respiração, os carros passando, as pessoas falando e o cachorro latindo. Voltei a me integrar ao ambiente e a corrida fluiu novamente.

Não vou negar que adoro correr ouvindo música e monitorando minha FC, minha velocidade e a distância já percorrida. É um vício, além de ser ótima esta sensação de controle. Mas, por outro lado, a experiência de se despir das “bengalas” e partir para uma corrida “limpo”, vale muito a pena. Agora, tenho procurado intercalar corridas em que pratico “equipado”, como antes, e outras em que corro “puro”, sem artificialismos tecnológicos que aumentam a minha sensação de poder. No fundo é tudo bobagem. Se você já se preparou adequadamente, não precisa de nada disso para sentir prazer em correr.

Tenho reforçado ainda mais a minha percepção de que os “minimalistas” tendem a ser mais felizes do que aqueles que complicam coisas que, em essência, deveriam ser muito simples, como correr, por exemplo. Mas, perceber isso já é uma grande vitória. É preciso vigilância permanente para conseguirmos desassociar a sensação de bem estar com a necessidade (falsa) de se ter. A mudança é simples, mas não é nada fácil.

Pode ser que demore, mas eu ainda chego lá. Eu quero! E, quando isso ocorrer, vou levantar da cama num belo dia, colocar uma sunga (somente uma sunga!) e correr pela areia da praia até cansar, feito o “Forrest Gump” daquela linda fábula contada no cinema. Para um observador externo pode ser até que pareça faltar algo. Mas eu terei a certeza de que estarei completo. Livre das muletas. Pleno e feliz!…

HSF

* Haroldo Santos Filho é advogado, contador, engenheiro, mestre em administração financeira (UnB) e sócio da Haroldo Santos Consultoria Empresarial.

Correndo pra vida!

Tuesday, January 24th, 2012

Início de ano é sempre uma boa invenção e um bom pretexto para mudar. A gente, normalmente, torce o nariz por causa das mudanças mas, acredite, a maioria delas traz algo positivo em seu bojo.

Quando esta mudança se refere a adoção de novos hábitos, com foco em uma melhor qualidade de vida, mais saúde (o que é diferente de menos doença!) é ainda mais oportuno.

Então, que tal iniciar o ano acordando cedo, se exercitando diariamente, mantendo uma alimentação frugal (pelo menos entre segunda e quinta), lendo mais e vendo menos TV?? Muita coisa pra mudar, não é!? Então, esquece o “ver menos  TV”, vai….rs

E correr, então!? A corrida é uma das atividades que mais provoca mudanças benéficas em seu corpo. Só que para você correr, antes, seu corpo (sistema cardio-respiratório e esquelético-muscular) deve ter sido adequadamente preparado para isso. É nesta hora que eu costumo dizer que, correr não é para quem quer, mas para quem pode! E o bacana é que todo mundo pode, desde que se prepare para isso.

Quando alguém me diz que não gosta de correr, logo penso: não sabe correr! Quem corre menos de 20 minutos e para quase morrendo, colocando os “bofes pra fora”, não pode mesmo “gostar de correr”. Nem ao menos atingiu o tempo mínimo para que as endorfinas (ô diliça!!!…) sejam jorradas em sua corrente sanguínea proporcionando sensação de prazer e bem-estar. Mas, então se eu não sei, como é “saber correr”? Primeiro é ter o corpo preparado para a corrida, de tal forma que o movimento de corrida não venha a se tornar desconfortável ou sacrificante. Segundo, é saber trabalhar o esporte dentro de um ritmo cardíaco seguro, confortável e saudável. Isso tem a ver a com a sua idade (A definição de sua frequência cardíaca (FC) de trabalho é definida por fórmula que usa a idade), claro, mas principalmente com a sua capacidade física adquirida com a continuidade da prática do exercício.

E como começar a correr? Nesta hora NÃO fuja do lugar comum. 1º) Procure um cardiologista e um professor de educação física. 2º) Faça um check up geral, com os exames que estes profissionais, provavelmente lhe passarão. Isso vai demorar, no máximo, 10 dias. Pense grande! Para quem pretende correr pro resto da vida, o que são 10 dias?! Provavelmente, você precisará mudar hábitos alimentares. No mínimo comer e beber (se for bebida alcoólica) em menor quantidade. Comece as mudanças devagar, mas comece!

Passada esta etapa, inicie o seu treinamento com persistência, continuidade, paciência e sem nenhuma pressa. Se você se apressar, é muito provável que vá se lesionar (aí, vai precisar de tempo pra se curar e depois começar tudo de novo!). Se o seu intuito é começar a correr provas de rua, o que eu acho uma ótima ideia, coloque na cabeça que, antes dos 4 meses de treinamento, você deve ESQUECER A PRETENSÃO de participar de provas acima de 5 quilômetros (5K) (** claro que isso depende de cada pessoa, mas esta regrinha de segurança vale para a média das pessoas!…). Quer correr uma maratona!? Ótimo!! Treine sério (muito sério!) por pelo menos 1 ano. Mas, como disse, na corrida não se deve apressar resultados pois, quando fazemos isso, os resultados que costumamos apressar chamam-se contusões.

Um livro que me ajudou muito no início e que, infelizmente, não encontrei mais para comprar (para presentear os amigos) foi a excelente obra de Marcos Paulo Reis, Emerson Gomes e Fabio Rosa, chamada “Programa de caminhada e corrida“. Trata-se de um livro de fácil e agradável leitura e absolutamente fundamental para uma iniciação segura e feliz na corrida. Mandei até e-mail para os autores perguntando sobre novas edições (editora abril), mas ainda não obtive resposta. Enquanto isso, para quem se interessar, segue um link seguro, encontrado na internet, para baixar o livro em PDF. (para baixar livro escaneado clique aqui).

E para quem ainda tem alguma dúvida sobre se correr é esta maravilha que pintam, vale ouvir a opinião da personal trainer e especialista em fitness, Valéria Alvim (matéria), sobre os benefícios da corrida:

“1. Coração: a corrida exige que o coração aumente o fluxo de sangue para todo o corpo. As fibras do músculo se fortalecem e a cavidade aumenta. Há uma hipertrofia excêntrica do miocárdio (alteração na parede e na cavidade do ventrículo esquerdo) melhorando a ejeção sanguínea. Desta forma o coração bombeia mais sangue com menos batidas, se tornando mais eficiente. Com o aumento da circulação sangüínea pelo corpo, cresce a entrada de oxigênio nos tecidos.

2. Pulmões: correr faz com que o volume de ar inspirado seja maior, aumentando a sua capacidade de respiração. Há também um aumento da quantidade de oxigênio absorvido do ar atmosférico.

3. Ossos: estimula a formação de massa óssea, aumentando a densidade óssea evitando problemas como a osteoporose.

4. Pressão arterial: correr estimula a vasodilatação, o que reduz a resistência para a circulação de sangue. Há trabalhos específicos para alunos hipertensos, como trabalhar a velocidade em terrenos planos. Uma maneira de diminuir a sua pressão é trabalhando a velocidade em terrenos plano.

5. Cérebro: aumenta os níveis de serotonina, neurotransmissor que regula o sono e o apetite. Em baixas quantidades, essa substância está associada ao surgimento de problemas como a depressão.

6. Peso: quanto maior a intensidade do exercício maior a queima calórica e de gordura. A corrida ajuda a gastar muitas calorias, favorecendo a perda ou manutenção do seu peso. Em uma hora de treino, um atleta chega a queimar até 950 calorias.

7. Colesterol: diminui os níveis de LDL (colesterol “ruim”). Corredores de longas distâncias têm o nível mais alto de HDL (colesterol bom ), encarregado de transportar os ácidos graxos no sangue e de evitar o seu depósito nas artérias.

8. Estresse: com a corrida, há liberação do hormônio cortisol, aliviando o estresse e a ansiedade.

9. Sono: fazer atividade física, melhora a qualidade de sono. Correr faz a pessoa dormir melhor. Após o exercício, o corpo libera endorfina, substância que provoca a sensação de bem-estar e ajuda a relaxar.

10. Músculos: a corrida ajuda a melhorar a resistência muscular e também queima a gordura dos tecidos musculares, deixando-os mais fortes e definidos.

11. Rins: com o aumento da circulação, há também uma melhora da função dos rins, que filtram o sangue e reduzem o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo.

12. Articulações: correr torna a cartilagem das articulações mais espessa, o que protege melhor essas regiões tão frágeis do nosso corpo.

13. Aumenta a libido: após 30 minutos de corrida, há um aumento da testosterona que permanece assim, por mais uma hora aproximadamente. No caso das mulheres, também há um aumento dos hormônios relacionados ao desejo, além de aumentar a auto-confiança.”

Ahh…sem contar que, neste mesmo espaço, eu já comentei que a corrida melhora a ereção e evita câncer (post aqui).

E, então!? Tá esperando o que para começar 2012 com o pé direito? (…e, de preferência, com um tênis de corrida de boa qualidade…)

HSF

Lula, o câncer, o SUS e o Sírio – Por Elio Gaspari

Wednesday, November 2nd, 2011

AS PESSOAS que estão reclamando porque Lula não foi tratar seu câncer no SUS dividem-se em dois grupos: um foi atrás da piada fácil, e ruim; o outro, movido a ódio, quer que ele se ferre.

Na rede pública de saúde, em 1971, Lula perdeu a primeira mulher e um filho. Em 1998, o metalúrgico tornou-se candidato à Presidência da República e pegou pesado: “Eu não sei se o Fernando Henrique ou algum governador confiaria na saúde pública para se tratar”. Nessa época acusava o governo de desossar o SUS, estimulando a migração para os planos privados. Quando Lula chegou ao Planalto, havia 31,2 milhões de brasileiros no mercado de planos particulares. Ao deixá-lo, essa clientela era de 45,6 milhões, e ele não tocava mais no assunto.

Em 2010, Lula inaugurou uma Unidade de Pronto Atendimento do SUS no Recife dizendo que “ela está tão bem localizada, tão bem estruturada, que dá até vontade de ficar doente para ser atendido”. Horas depois, teve uma crise de hipertensão e internou-se num hospital privado.

Lula percorreu todo o arco da malversação do debate da saúde pública. Foi de vítima a denunciante, passou da denúncia à marquetagem oficialista e acabou aninhado no Sírio-Libanês, um dos melhores e mais caros hospitais do país. Melhor para ele. (No andar do SUS, uma pessoa que teve dor de ouvido e sentiu algo esquisito na garganta leva uns 30 dias para ser examinada corretamente, outros 76, na média, para começar um tratamento quimioterápico, 113 dias se precisar de radioterapia. No andar de Lula, é possível chegar-se ao diagnóstico numa sexta e à químio, na segunda. A conta fica em algo como R$ 50 mil.)

Lula, Dilma Rousseff e José Alencar trataram seus tumores no Sírio. Lá, Dilma recebeu uma droga que não era oferecida à patuleia do SUS. Deve-se a ela a inclusão do rituximab na lista de medicamentos da saúde pública.

Os companheiros descobriram as virtudes da medicina privada, mas, em nove anos de poder, pouco fizeram pelos pacientes da rede pública. Melhoraram o acesso aos diagnósticos, mas os tratamentos continuam arruinados. Fora isso, alteraram o nome do Instituto Nacional do Câncer, acrescentando-lhe uma homenagem a José Alencar, que lá nunca pôs os pés. Depois de oito anos: 1 em cada 5 pacientes de câncer dos planos de saúde era mandado para a rede pública. Já o tucanato, tendo criado em São Paulo um centro de excelência, o Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira, por pouco não entregou 25% dos seus leitos à privataria. (A iniciativa, do governador Geraldo Alckmin, foi derrubada pelo Judiciário paulista.)

A luta de José Alencar contra “o insidioso mal” serviu para retirar o estigma da doença. Se o câncer de Lula servir para responsabilizar burocratas que compram mamógrafos e não os desencaixotam (as comissões vêm por fora) e médicos que não comparecem ao local de trabalho, as filas do SUS poderão diminuir. Poderá servir também para acabar com a política de duplas portas, pelas quais os clientes de planos privados têm atendimento expedito nos hospitais públicos.

Lula soube cuidar de si. Delirou ao tratar da saúde dos outros quando, em 2006, disse que “o Brasil não está longe de atingir a perfeição no tratamento de saúde”. Está precisamente a 33 quilômetros, a distância entre seu apartamento de São Bernardo e o Sírio.

Link original: aqui