Posts Tagged ‘saúde’

Trekking ES Sul – do papel para a história…

Tuesday, February 2nd, 2010
Eu na praia de Marobá
Eu (praia de Marobá)

…É rico, é pobre, é feio, é bonito, é branco, é preto, não interessa! No final, vai todo mundo pro mesmo buraco… prlroo burlraaacoo…..” . Esta autêntica filosofia de botequim foi dita, em voz bastante alta e arrastada, por um inofensivo “bebum” que passava ao nosso lado, enquanto tomávamos uma água de coco bem gelada, de frente à bonita praia de Marobá (sul do Espírito Santo), iluminados por uma espetacular lua cheia e pelo gratificante sentimento de dever cumprido, ao vencermos a primeira etapa de nosso trekking, completando 12,5 Km, em 4 horas e meia de caminhada pela praia. A sexta-feira já estava no fim. Era quase hora de dormir e se preparar para o dia seguinte…

Este trekking foi todo planejado com o uso do Google Earth (para baixar roteiro clique aqui). Com a providencial ferramenta, foi possível mapear nosso ponto de saída, praia das Neves (extremo sul do estado do Espírito Santo), calcular o tamanho aproximado das duas “pernas” de caminhada (entre 10 e 15 Km, cada) e escolher os pontos de apoio, ou seja, locais prováveis para que pudéssemos chegar, tomar banho, comer alguma coisa, apreciar ligeiramente as características locais e, claro, desmoronar o esqueleto em alguma cama honesta, para aprontá-lo para o dia seguinte de programação.
Manguezal - Marco zero

Manguezal - Marco zero

caminho deserto 1

caminho deserto 1

caminho deserto 2

caminho deserto 2

caminho deserto 3

caminho deserto 3

Falésias e beleza natural

Falésias e beleza natural

Falésia - chegada estava próxima

Falésia - chegada estava próxima

Garças - presença constante

Garças - presença constante

Lagoas: presença constante ao longo do caminho

Lagoas: diversas ao longo do caminho

companhia: especial e inspiradora

companhia: especial e inspiradora

O sul do Espírito Santo mostrou-se, realmente, muito bonito. Logo na saída do Trekking, no extremo sul do estado do Espírito Santo, avistamos a divisa geográfica entre nosso estado e o estado do Rio de Janeiro, o rio Itabapoana. Pouco depois do local em que desemboca o rio, nas areias brancas da praia, antes da movimentação natural (quiosques e banhistas) da praia das Neves, foi nosso local de partida. Foi nosso marco zero!

A primeira etapa, não foi nada fácil. Vento forte contra, sol escaldante e uma severa inclinação na areia, eram fatores a serem superados neste trekking. Além disso, a areia era bastante (,) fofa. (..aliás, para distrair e sacanear os outros, a gente colocava uma vírgula, entre o “bastante” e o “fofa”, sempre que se referia ao estado da trilha…..rs….falta do que fazer….).

Foram 12,5 Km de uma imensidão de areia e mar, boa parte, completamente deserta. Uma verdadeira terapia. Nos primeiros 3 Km, é um falatório só. Depois, um silêncio avassalador (…só se ouve o vento e o mar, imponentes!…). É quando a gente se encontra com a nossa consciência e faz as pazes com tudo aquilo que nos traz felicidade e tranqüilidade. É quando vemos que precisamos de muito, mas muito pouco para sentirmos alegria de viver. É aí que vemos como temos nos violentado, em nosso dia-a-dia, numa corrida de “ratos” maluca, à procura de algo (..nas coisas, no consumo…) que já está em nós….

amigo canino: uma grata surpresa!

amigo canino: uma grata surpresa!

"siri" - sempre vigilante

"siri" - sempre vigilante

Esta primeira etapa de nosso trekking teve um personagem único e inusitado. Quando passávamos em frente à praia das Neves, um cão alegre se aproximou, balançando o rabo. Como nós não o espantamos (…coisa que outros deviam fazer…), ele se juntou ao grupo. Pensei que fosse andar um pouquinho só ao nosso lado e depois voltar para a vila. Engano meu! O bichano nos acompanhou por toda a primeira etapa. Caminhou conosco, mais de 4 horas, até chegarmos na praia de Marobá.

O mais curioso era a sua atividade predileta. Ele avistava ao longe um siri branco de praia (…também conhecido como guruçá…), corria atrás, cercava, latia e tentava pegar com a boca sua “presa”, até que ela conseguisse fugir pro mar. Daí a pouco, fazia tudo de novo, quando enxergava um novo infeliz morador daquelas areias. A gente percebeu que ele não tinha intenção nenhuma de machucar o siri (…embora talvez o fizesse, às vezes…rs…). Era pura diversão. Aquele cachorro tinha personalidade e sabia o que queria. Impressionou a gente, pela sua independência e felicidade. Ficamos amigos e pra não chamar um amigo de “cachorro”, demos a ele um nome bastante sugestivo: “Siri”.

Pousada Baleia Branca: honesta

Pousada: honesta

Chegamos na praia de Marobá, cansados, mas muito contentes com o feito. Ficamos hospedados na Pousada Baleia Branca. Um local super limpo, honesto em tudo e cujos proprietários são gente (de Juiz de Fora (MG)), simples e acolhedora, a Carla e o Sr. “Tchê” (pai) (Pousada Baleia Branca – (28) 3535-4099 – Marobá e (32) 3237-9272 – Juiz de Fora / Diárias com café da manhã custam em torno de R$ 80,00/US$ 43,00).

Em Marobá, ainda de “gruja”, acompanhamos um evento muito interessante: Marobá Acro Brasil: I Etapa do Circuito Brasileiro de Acrobacias de parapente. Parecia um evento internacional, pela quantidade de “gringo” fazendo graça com os parapentes no ar. Só tinha fera. Quem imaginaria que encontraríamos essa atração lá, não e mesmo!? A própósito, a Prefeitura de Presidente Kennedy está de parabéns pelo investimento que tem feito em seu verão. Muito legal e vale a pena conferir.

No dia seguinte, o mais cedo possível (…rs…), partimos para a realização da segunda etapa do desafio. Não tínhamos mais a companhia de “Siri”. Quem sabe ele tenha encontrado novos “amigos” e novos destinos, que satisfizessem àquele seu invejável espírito livre? (…desejamos ao “Siri” boa sorte!…). Apesar disso, consideramos um trecho mais tranqüilo. As baías eram menores, a areia não era mais tão fofa e o trajeto não se apresentava tão inclinado como antes. Também começamos a ver lindas falésias e pedaços de mata de restinga intocável. Foi um espetáculo. Fizemos os 11 Km em 3 horas e meia. Chegamos triunfantes ao Camping do Siri, nosso destino final. Lá, já tínhamos nossas reservas, na pousada, registradas. Foi lá que, há dois dias, havíamos deixado o carro e fomos levados de táxi para o extremo Sul do Estado. Aliás, o motorista foi o Sr. Delci ((28) 9883-0849/3532-4180 – corrida custou R$ 90,00/US$ 48,00). Sujeito prestativo e falante. Tenho certeza de que terá o maior prazer em levar outros andarilhos para a saída na trilha, que descobrimos. No Espírito Santo, certamente, é o ponto mais ao sul, pertinho do mangue que margeia o rio Itabapoana.

Passamos à noite de sábado rindo à toa e, sempre, regada à água de coco, vinho e cerveja (…muito chato….rs…). No domingo, ficamos de molho o dia todo, aproveitando a ótima praia do siri, de frente ao Camping. O corpo doía, mas a alma estava radiante! Lembrei da frase célebre muito usada por maratonistas: pain is temporary, proud is forever (a dor é temporária, o orgulho é para sempre).

Eu já sabia, mas para os que se aventuraram pela primeira vez, foi uma constatação de que fazer um trekking é algo extremamente gratificante. Lava a alma e nos leva a diversas reflexões. Desde a nossa insignificância diante da grandeza da natureza ao valor das pequenas coisas, dos gestos mais simples, nada passa despercebido, após horas caminhando numa praia deserta. É comum a gente perceber que costuma complicar as coisas. A nítida impressão que temos é que a vida podia ser mais fácil. Enfim, trekking é tão bom que não podemos passar muito tempo sem uma nova programação. Breve, faremos novas caminhadas e, quem sabe, conseguimos cobrir toda a costa do Espírito Santo em menos tempo do que se possa imaginar, não é mesmo!? Tenho certeza: companhia é o que não vai faltar…rs….

Costumo dizer que você nunca termina um Trekking, exatamente como começou (…não me refiro aos naturais calos e bolhas no pé….). Ao final, os laços de amizade, entre as pessoas que participam, se reforçam e nossa auto-estima se reconstitui. A gente vê que ali, na trilha, todo mundo parece igual diante do mesmo desafio assim como sempre deveria ser, fora dali. Afinal, de fato, somos todos muito parecidos em nossos anseios, medos, desafios e desejos. Foi quando lembrei do início deste post, do recado daquele “bebum” de Marobá e, pensei:e não é que o ébrio tem razão?!….rs….

É desse jeito!!!…..

HSF

Eu corro, e você?

Monday, January 18th, 2010

O Portal UOL possui uma seção chamada OxigênioTV muito interessante para aqueles que gostam de praticar atividades aeróbicas e melhor ainda para aqueles que ainda possuem vida sedentária. Para os primeiros, os clipes (pequenos videos) trazem informações úteis para o dia-a-dia de quem sua a camisa. Já para o segundo grupo, as matérias costumam dar um incentivo a mais para se largar o controle remoto, tirar os fartos glúteos da poltrona e “emburacar”, como diz um amigo meu, quando quer se referir à “enfrentar a vida” ou “encarar desafios”. Vale a pena uma visita!

HSF

Rotina de uma corredora

Tuesday, August 11th, 2009

Procurando casos particulares de quem mudou a sua vida ao começar a praticar corrida, achei super interessante o “case” da Ana Maria Coltro, que tem 49 anos (…claro que parece ter muuuito menos…) e pratica corrida há 18 anos.

Ao que tudo indica ela passou a gostar tanto de corrida que adaptou sua vida a este esporte. Acorda cedo (05:30 h…..uhh…isso ninguém merece!…rs…) faz suas corridas e depois assume a sua empresa, por volta das 08:30 h, segundo sua própria narrativa. Ela tem uma empresa de turismo (Xtravel) que, inclusive, possui uma linha de produtos específicos para levar corredores à provas internacionais de corrida, com um forte diferencial competitivo: a dona da empresa também vai junto para correr … rsrsrs.

E o mais curioso é quando ela conta o que a fez se interessar pela corrida: “o semblante de alegria de quem ela via correndo“. É mesmo impressionante como isso contagia as pessoas….

Gripe “A”, na Argentina. Um exagero?

Tuesday, August 4th, 2009
temporao_problema_atireiopaunogato

Temporão e o tamanho do "pepino"

Acabo de retornar da Argentina! (Em um post específico, gostaria de poder detalhar algo sobre esta inesquecível experiência). Mas, agora, quero chamar a atenção para uma questão, no mínimo, curiosa: a gripe influenza “A”, mais conhecida como “cabeça de bacalhau”: a gente sabe que existe, mas não vê.

Tendo ficado pouco mais de uma semana naquele país, não vi sequer uma única pessoa de máscara “hospitalar” circulando por aquelas ruas. A referida cena só foi vista, em momentos raros, nos aeroportos, mas não nas cidades.

Em conversa com uma de nossas guias, a Natália, pude perceber uma certa indignação, nela personalizada, de todo o povo argentino com o nosso Ministro da Saúde Dr. José Gomes Temporão que, em pronunciamento em cadeia nacional, dia 06 de julho de 2009, abordou as medidas públicas nacionais contra a gripe “A” e, de quebra, sugeriu que se adiassem as viagens de julho, para países que tivessem o vírus “H1N1″ “circulando livremente”. Antes, porém, ele já havia definido que países eram estes, tendo a Argentina como topo da lista, dos mais próximos…

Cheguei a ouvir que o nosso Ministro passara a ser “persona non grata” em terras argentinas, por conta de suas declarações, cujos efeitos danosos, logo se refletiram em quedas nos índices do turismo argentino, relativo a brasileiros, da ordem de 60%. Esta queda impactaria até a mais sólida indústria de turismo, por isso, disseram: “…seu ministro não pisa mais aqui…”.

Não quero pagar com a língua e, logo após escrever este texto, começar a sentir dores pelo corpo e febre alta (rs…), mas fico me perguntando até que ponto o alarme oficial do Governo brasileiro não teria outras intenções, além da preocupação com a segurança nacional? Porque a consequencia imediata do “terrorismo” anunciado, foi a destruição temporária do turismo local argentino e, natural aumento do turismo interno, aqui no Brasil.

Não tenho condições de avaliar, com a devida e necessária cientificidade, se o tratamento dado ao caso, pelo Brasil, foi de fato exagerado. Mas, posso assegurar que se o foi, teríamos aí configurado um típico caso de descuido diplomático, beirando à irresponsabilidade governamental que, em termos mais “técnicos”, poderíamos classificar como uma “puta sacanagem” com aquele povo. Para outros, esta teria sido só mais uma atitude “imperialista” e inconsequente do Brasil, tendo trazido enormes prejuízos aos nossos vizinhos.

lomoalapimienta_atireiopaunogatoTeorias da conspiração à parte, o fato é que, infelizmente, o nosso querido Ministro Temporão, pelo visto, também deverá precisar adiar as suas merecidas férias, caso tenham sido marcadas para Argentina, especialmente a Patagônia. Isso porque lá, um dos pratos mais tradicionais sempre foi a carne de caça (Viado), o “Ciervo a Cazadora“, por exemplo. Mas agora, tal opção vem sendo ameaçada por outro prato de “caça”, que se tornou um dos mais apreciados pelos “hermanos”, o “Temporão, a la pimienta“. Pelo visto, eles passaram a adorar este prato que, ao que parece, deve ser bastante indigesto. Mas, também, vai entender argentino….

A imperdível 20ª Dez milhas Garoto

Sunday, July 12th, 2009

20a_dez_milhas_garoto_atirei_o_pau_no_gatoMarque na sua agenda: 16 de agosto de 2009, a partir das 08:00 h, saindo da praia de camburi. Estamos falando da que, talvez, seja a prova de corrida de rua mais famosa e mais concorrida do circuito capixaba. A corrida “dez milhas Garoto”, de fato, tem sido sinônimo de um percurso agradável, emocionante e de visual inesquecível, principalmente, quando se atravessa a Terceira Ponte (que une as cidades de Vitória e Vilha Velha), tendo à direita o imponente cartão postal do “Convento da Penha”.

Pela tradição construída ao longo das edições anteriores, pode-se afirmar categoricamente se tratar de uma prova imperdível e que promete 16 quilômetros de muita festa e alegria. A alegria é por conta de cruzar a linha de chegada, como bem me lembro da última que participei. Quanto a festa… bom, a festa você descobrirá pessoalmente se comparecer ao evento. A gente se encontra por lá!…

Faça sua inscrição aqui.

Cigarro: inimigo social

Monday, April 13th, 2009

proibido_fumar_atireiopaunogatoLembro que estava  nos Estados Unidos (Flórida) e uma noite resolvi comprar um vinho tinto para aproveitar os baixos preços de uma autêntico californiano, vendido em seu próprio país de origem. Nas redondezas, walmarts e walgreens faziam uma nítida restrição à venda de bebida alcoólica, limitando este tipo de produto a poucas de suas lojas. Quando a gente perguntava, a alguém que trabalhava nestas grandes redes, sobre a seção em que seriam encontradas as bebidas, das duas uma: ou falavam com orgulho que lá não se vendia bebida alcoólica ou faziam uma cara de horror fazendo parecer até que você teria perguntado sobre a “seção de nitroglicerina”.  Quando eram encontradas, as bebidas eram diferenciadas dos demais produtos, pois não podiam ser colocadas em sacolas comuns, com a logomarca do grupo e, sim, dentro de sacos de papel pardo, como se fossem pães. Teve uma vez até que, no meio da compra, um policial troglodita, ao me ver chegar no balcão com duas garrafas de vinho na mão, para que fossem acrescentadas às compras que lá estavam,  se aproximou da gente e fez com que houvesse a imediata troca da operadora do caixa. Perguntei o “porquê” daquilo e a resposta foi: “a moça do caixa é menor e, por isso, não pode vender bebida alcoólica“.

Lá, o tratamento com o cigarro e, naturalmente, com quem fuma, não é diferente. Radicalismos norte-americanos à parte (…algo que se explica pela cultura e história daquele país…), acho que o tratamento dado a estes dois males sociais, deve ser exatamente assim, por parte de países que almejam ser alçados à categoria de “desenvolvidos”, como o Brasil.

Não abro mão de meu vinho tinto e, já cometi, algumas vezes, a recorrente iditotice de ter um cigarro na boca. Fazer o quê? Esclarecimento não parece ser suficiente para imunizar um cidadão de cometer atos insanos contra a sua própria saúde como fumar, por exemplo. Independente disso, sou favorável ao máximo de restrições impostas a este tipo de consumidor. Ainda que alguns desinformados possam pensar o contrário, é óbvio que se trata de uma questão de saúde pública. 

Mas, o cigarro sofreu dois golpes recentes (achei ótimo!). Primeiro foi o aumento da carga tributária relativa à sua fabricação. E, depois, em momento exemplar, a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) aprovou  o projeto de lei do governo que bane o tabagismo em quase todos os ambientes fechados no Estado. Foram 69 votos a favor e 18 contra.  Espero ansiosamente que as demais Assembléias do país façam o mesmo, a começar pela capixaba que, embora saibamos ser demasiadamente atrelada aos desejos do Executivo, pode marcar pontos a seu favor, junto à sua “patroa” população, de vez em quando, com projetos que, dificilmente, encontrariam oposição do Governo.

Sempre achei hipócrita aquela história de que “uma parte” do restaurante é para fumantes e “outra parte” para não-fumantes. Isso chega a ser hilário, sabendo-se que o ambiente é fechado. Fumantes ou não saem do recinto parecendo um cinzeiro e suas roupas não podem ter outro destino senão a lavanderia. Uma coisa terrível! Isso para não falarmos que, está mais do que comprovado que o tal “fumante-passivo“, aquele que fuma por tabela, está sujeito a todas as mesmas doenças de quem paga para morrer. 

Tabagismo e alcoolismo são males sociais e devem ser tratados como tal. Muita educação e, infelizmente, repressão. O Àlcool, diferente do cigarro, considerando que a pessoa que bebe não vai até a sua mesa e faz xixi na sua cabeça, já possui elementos de coerção suficientes, bastando que as leis existentes sejam fiscalizadas e respeitadas. “Se for dirigir, não beba” e ponto final. Quanto ao cigarro, este ainda gozava de alguns privilégios, como a permissão de se fazer uso em local fechado ou, simplesmente, público (sou contra!). Um verdadeiro absurdo que, parece, está sendo erradicado, aos poucos de nossos costumes.

Ontem fui a uma festa de primeira comunhão de minha sobrinha. Foi num restaurante super conceituado aqui de Vitória, cuja especialidade é comida portuguesa. O Bacalhau e o camarão estavam, simplesmente, sensacionais! Mas, quando cheguei em casa, inevitavelmente, carregava na minha roupa a inadmissível e intolerável consequencia das áreas “fake” de “fumantes” e “não-fumantes”, no mesmo ambiente fechado. Se estava impregnado na roupa, amigo(a), é certo que também foi para meu pulmão…

Que se deixe bem claro, que se trata de uma guerra contra o cigarro, não contra o fumante (…esse idiota consciente, transformado em doente crônico…estou me incluindo, pelo que já fiz….) que vira o alvo da artilharia só porque não teria como ser diferente, até para que as pessoas à sua volta possam ser protegidas. 

Vai chegar o tempo em que fumar só será admissível se o sujeito se trancar dentro do banheiro de sua casa (isso, ainda, quando não houver menores por perto). Espero estar vivo para ver este primeiro momento. No segundo momento, este ainda mais glorioso, terá uma sociedade, formada por nossas crianças de hoje, que se questionará como foi possível, um dia, alguém ter podido jogar tanta merda venenosa para dentro do próprio organismo, através da fumaça. Neste caso, eu sei que já deverei ter voltado ao pó. Mas, tudo bem, já ficarei bastante feliz só de perceber que estamos no caminho certo e sem volta.

Quanto às  grandes e milionárias indústrias de tabaco do mundo, torço para que, antes que sejam forçadas a isso, saibam que são “non gratas” e, por isso, passem logo a investir sua exorbitante riqueza em outros ramos de negócios, talvez não tão lucrativos quanto aquele baseado no vício da população mas que, pelo menos, não se desenvolva às custas de um universo de clientes fidelizados quimicamente e que morrem a cada dez segundos, no Mundo, conforme atesta a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O dono do pênis: esse incompreendido!

Wednesday, April 8th, 2009

O sujeito chega no consultório médico e quando é atendido, vira para o seu urologista e diz:

- Doutor, o senhor precisa me examinar com urgência!!…

- Claro, meu caro, fique calmo, tire a sua roupa e deite-se naquela cama. (disse o médico).

O cavalheiro seguiu as instruções ao pé da letra. No entanto, chamou a atenção do médico que, inevitavelmente, se assustou com o tamanho do pênis daquele paciente que, até parecia, precisar mais da cama, para seu apoio, do que o próprio dono. Após um longo (…e bota longo nisso! rs…) e detido exame, o médico exclama:

- Mas, meu amigo, o senhor vai me desculpar, mas o senhor não tem nada. Está perfeito de saúde!…

- Doutor, isso eu tô cansado de saber… mas fala a verdade, é bonito ou não é, doutor?!….

rice_penis_pequeno_atireopaunogatoNada como uma piadinha infame para se tentar, descontraída e descompromissadamente, introduzir (oops…talvez aqui fosse mais oportuno o uso de outro verbo…), digo abordar, um tema considerado tabú pela sociedade como o pênis, ou melhor, mais especificamente algumas de suas características, como o seu tamanho, por exemplo. Se quem me lê for homem, sou capaz de apostar a minha camisa do vasco, autografada pelo Roberto Dinamite, de que em algum momento de sua vida este tema já o tenha despertado a curiosidade (no mínimo), ainda que possa nunca ter representado um problema em si.

Não gozo (…ooops…de novo…) de conhecimentos técnicos que me permitam atingir o devido aprofundamento da tese, em seus aspectos mais científicos mas, do ponto de vista de “usuário final”, se é que podemos tomar emprestado este termo da informática, posso afirmar categoricamente que poucos homens se sentem verdadeiramente contemplados e satisfeitos com o símbolo de poder que carregam (ostentam) entre as pernas, ou seja, com o tamanho da “geringonça”, por assim dizer.

Já cansei de ouvir piadinhas (…na verdade originadas, muitas vezes, por inveja…) de alguém comentando sobre uma terceira pessoa que passa com um super carro esportivo de R$ 300 mil reais. O “invejoso” logo diz: “...esse deve ter o pênis pequeno…”. A alusão e a lógica supostamente adotada no comentário, neste caso, é a de que o indivíduo procurou compensar a sua “pequenez” relacionada ao seu membro sexual com a sua grandiosidade patrimonial, equilibrando a sua equação de poder….

Um certa vez, estava num show de Lulu Santos aqui em Vitória. De repende, começa uma tremenda confusão com pancadaria e um cara, enfurecido, no meio da muvuca, batendo em todo mundo à sua volta. O cantor, ao perceber que as atenções já não eram mais para ele, cantando “como uma onda no mar”, vaidoso, ele pára tudo e no silêncio da banda ele provoca:”...ei, você aê, valentão! Por que não arruma uma gatinha para dar uns beijos ao invés de ficar dando porrada em quem quer assistir ao meu show, porra!? No mínimo, você deve ter o pau pequeno, e tá compensando seu complexo, com essa agressividade toda, né não?!…“. Todo mundo caiu na gargalhada e o cara, sem jeito e humilhado, saiu à francesa. O show continuou como se nada tivesse acontecido. Depois disso não deve ter sobrado nenhum disco inteiro daquele artista na casa do “ofendido”….rs…

Algumas mulheres dizem não entender essa, dita, preocupação dos homens com o tamanho da “criança”. Acho que isso deve ser uma “meia-verdade”, se nos for permitida a liberdade poética de usar esta paradoxal expressão. Seria a mesma assertiva que, nós homens, fazemos de que quem se preocupa com celulite são as mulheres: “…nós nem ligamos para isso…”. É outra “meia-verdade”. Por quê?! Simples. Porque os exageros, os extremos, evidentemente não satisfazem ou deixam a desejar. Em outras palavras, acredito com todas as forças de que, a maioria esmagadora do homens, de fato, se preocupa sem motivo em relação aos seus órgãos sexuais. O mesmo digo para as mulheres, em relação à celulite, por exemplo. Mas, há extremos que exigem uma orientação médica, por fugirem em muito das curvas estatísticas que documentam o tema. É algo patológico e que requer tratamento e acompanhamento médico e psicológico.

Para muitos, este problema pode estar próximo do fim. Novas técnicas cirúrgicas têm prometido resultados “cavalares”, com o perdão do termo, para quem objetiva ter o seu pênis aumentado, carregando para cima sua frágil auto-estima e mandando pra bem longe seus fantasmas. A revista época nº 568, de 06 de abril de 2009, em sua página 70, aborda exatamente este tema, todavia, a meu ver, dando uma conotação de se tratar de uma intervenção arriscadíssima e desnecessária, além de muito cara. A matéria intitulada “É possível, mas (muito) perigoso“, apresenta uma das técnicas adotadas para engrossar o “instrumento”, seguidas das inúmeras advertências de médicos contrários ao procedimento.

Parecia natural que, mais cedo ou mais tarde, haveríamos de ter algum “produto”, nesta linha, sendo “comercializado” nos meios médicos. Foi assim para esticar o rosto, levantar bumbum, aumentar/diminuir seios, aumentar panturrilha e peitoral e por aí vai….ia logo chegar a vez do pênis, não é verdade!?…

Pessoalmente, tenho por característica fugir da faca (de cirurgias) igual o diabo deve fugir da cruz. A última, que eu me lembre, foi feita sem a minha expressa autorização, segundo dizem, já fui para o berçario circuncisado. Na época, era prática rotineira. Portanto, ainda que fosse seguríssimo (o que não parece ser), acredito que, nem assim, meu nome estaria na lista, ao menos neste primeiro lote…rs.., de corajosos operáveis, neste caso. Não se trata de uma auto-afirmação, orgulho machista, propaganda enganosa ou uma deliberada declaração de “poder” de minha parte. De forma alguma! Pelo contrário, acho até que uma ajudinha dessas, cairia muito bem, mas o meu medo é maior do que a incompreensível vontade de impressionar….rsrs…..

O cuidado que o caso pede, todavia, é por ser tentar evitar a completa banalização das relações, pautadas em rótulos e/ou atributos que, nem de longe, possam representar as características mais nobres do ser humano. Prefiro continuar a conviver com a falsa ilusão e o desejo platônico de que algo mudaria para melhor em minha vida, se pudesse obter o inacessível aumento de meu poder fálico a me transformar naquele que foi a loja e comprou um “pênis tabajara”, em 10 suaves prestações. Preconceito ou não, deixo isso para as futuras gerações. Vou preferir continuar vivendo como um feliz incompreendido a contribuir para um momento em que, talvez, não seja muito difícil um cara ter a sua vida virada do avesso, sendo abandonado pela parceira e trocado por míseros três centímetros a mais de diferença, muito provavelmente, comprados numa clínica irregular de subúrbio e pagos com cheque sem fundo…..ia ser uma puta sacanagem!…

HSF

Quem disse que a velhice é para todos?

Friday, April 3rd, 2009

Normalmente, só quando passamos dos quarenta anos, ou quando “dobramos o cabo da boa esperança” é que começamos a tomar consciência de que estamos ficando mais velhos e de que os “bônus” relativos à idade já estão, já há algum tempo, sendo creditados em nossa conta.

É quando cai a máscara que, às vezes, inconscientemente usamos, de que juventude e imortalidade são palavras quase sinônimas. Muitos, ao perceberem que podem estar, com sorte, na metade de suas vidas, começam a valorizá-la muito mais do que sempre fizeram. Outros, por temerem o desconhecido em seu futuro próximo, entram em crise, em “parafuso”. É a famosa “crise dos quarenta” que, pode acontecer antes ou depois dessa idade, não importa. O fato é que a gente cai na real, mais cedo ou mais tarde, de que somos reles mortais e que precisamos, obstinadamente, acertar o caminho que nos levará a ter uma vida com a melhor qualidade possível, com estes mesmos reflexos junto àqueles que, com você convivem. Afinal, de que adiantaria termos a sensação de sermos felizes se estamos rodeados de pessoas amarguradas, não é verdade?!

O fato é que a velhice em si, de alguém que tenha saúde, não deve ser motivo de depressão para quem quer que seja. Devemos, sim, nos imaginar capazes de continuar realizando feitos, sonhando, traçando e atingindo metas, amando enfim, nos sentindo, verdadeiramente jovens, ainda que estejamos falando somente de nossas mentes. Mas, haveria algo mais importante do que aquilo pensamos. No final das contas, não “somos aquilo que pensamos ser”?!…

Como sou fã da boa publicidade e seguidor da máxima que entende que uma imagem supera mil palavras para expressar uma idéia, destaco a propaganda do complexo vitamínico “Centrum Silver“, destinado a pessoas com idade superior a 50 anos. No video, os “jovens” estão no meio de um “animado” jogo de poker, cuja pena para quem perde a rodada é  a desejável retirada de uma peça de roupa. Numa certa hora, a “mocinha” (gatíssima!!!) diz que não tem nada em sua mão, perdendo aquela rodada. Os caras comemoram juntos, pois vão ver aquela gata sem roupa……quando são interrompidos (surpreendidos) por um enfermeiro que, surpreso, pergunta, de forma ríspida: “ ….O que está acontecendo aqui??….” e depois dá o comando: “...voltem já para as suas camas….“. Só aí é que caem as nossas fichas e o “off” (voz de fundo) da peça nos convida: “…sinta-se jovem de novo…“.

De fato uma peça publicitária de ótimo gosto e bela produção. Acima de tudo, e independente de seus objetivos comerciais, deixa a mensagem de que a velhice, na concepção ampla (lato) da palavra é só para quem a aceita desta forma. Se a decisão é nossa, eu lhe pergunto: e você, vai simplesmente, de braços cruzados, aceitar ficar velho?!…

HSF

Corrida melhora ereção e evita câncer

Tuesday, March 24th, 2009

Como diria um velho conhecido meu “é muita coisa boa junta pra ser verdade”…né não!? Mas, ainda bem que o título deste post representa a mais pura verdade e é fruto dos mais recentes estudos científicos sobre o assunto. É tão bom, que parece até manchete sensacionalista. Aliás, se o objetivo deste humilde blog aqui, fosse causar impacto, certamente o título seria mais ou menos assim: “quer transar e viver mais? Prepare-se para correr!...”. Duvido que você não teria clicado primeiro nesta notícia, antes de qualquer outra.

Tenho um cunhado que é médico. Ele vive implicando comigo, dizendo que o ser humano é “bípede” e, por isso, não foi feito para correr e, sim, para andar. E que é por isso que a corrida causaria um percentual fora do comum de lesões nas articulações dos membros inferiores, na lombar, na coluna, etc….Isso, porque o sistema músculo-esquelético do humano, não foi “projetado” para os impactos provocados pela corrida. Ele repete igual a um disco furado: “gente foi feita pra andar”. Enquanto ele fala mal da corrida, eu falo mal de cunhado….rs….e aí ficamos assim combinados.

A despeito das afirmações contrárias à corrida (diga-se de passagem, não só defendidas por meu cunhado, mas por alguns outros estudiosos…), sempre tive, ainda que intuitivamente, a nítida sensação de que nos períodos da minha vida em que eu estava correndo, com regularidade e com intensidade de média para forte, tinha um ânimo muito superior para fazer as coisas, tinha mais saúde, mais alegria, mais paciência, melhor sono, melhor memória, melhor preparo físico geral (…nem preciava falar isso, né?!…rs…) e, por incrível que possa parecer, melhor sexo. Quando eu falava isso, a galera morria de rir, dizendo que era puro exagero na minha propaganda pró-corrida. Eu podia dizer, como sempre disse, que a “corrida era boa para tudo”, aí as pessoas aceitavam. Agora, quando eu dizia que a corrida  aumentava até o meu tesão, aí começava a gozação, de novo…..nunca entendi essa divisão que algumas pessoas faziam…..

Agora, recentemente, pesquisas demonstraram que a corrida praticada de forma regular, melhora consideravelmente a disfunção erétil, ou seja, o corredor teria uma chance muito menor de sofrer desta doença, cada vez mais comum em nossa sociedade moderna. Desculpe o infame trocadilho, mas trata-se de uma notícia mais do que “bombástica”. E ainda daria uma outra manchete sensacionalista ótima, olha só: “corredor contumaz de dia, atleta sexual de noite“. É horrível, eu sei….mas, chama a atenção, não chama!? rs….

O resumo da explicação para este fabuloso e desejado fenômeno é que o óxido nítrico induz ao relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos, favorecendo a ereção peniana. Ou seja, todo o caminho por onde o sangue passa precisa estar desobstruído e sabidamente a corrida ajuda nessa “limpeza”. A corrida altera positivamente esse funcionamento oxidativo, aumentando os níveis de óxido nítrico, além de estimular hormônios mais conhecidos, como a adrenalina, a noradrenalina, a testosterona, o estradiol (nas mulheres) e as endorfinas, que dão a sensação de euforia, na gente. Resultado: quanto mais você corre, mais o bicho pega, meu amigo……Quer melhor!?

Não bastasse a melhora na nossa performance sexual, a revista “Medicine & Science” in “Sports & Exercise” publicou na edição de outubro um estudo mostrando que a corrida de 10 Km pode evitar o câncer de próstata em homens acima dos 50 anos. Ficou comprovado que quanto mais rápido e melhor condicionados são esses corredores, mais se evita o crescimento da próstata. O estudo envolveu mais de 28 mil homens estudados num período de 8 anos, o que reforçou a confiabilidade dos resultados, dada a relevância da amostra utilizada.

Eu sugiro a leitura da matéria completa, publicada na página 62, da revista contrarelógio, edição de janeiro de 2009 (Não possui link na internet, desta matéria). O conteúdo foi muito bem escrito, na seção “notícias do corpo”, por Luiz Carlos de Moraes (lcmoraes@compuland.com.br).

Se eu tivesse uma daquelas “plaquinhas”, escrito “EU JÁ SABIA“, que se usa em final de campeonato de futebol em que o torcedor levanta só para despertar a fúria da torcida adversária (do time que perdeu, claro!), podem ter certeza, era a hora de eu levantá-la, na frente de todos que duvidavam de mim, quando eu afirmava isso, muito antes das pesquisas, somente com base na minha própria “experimentação laboratorial caseira”, se assim podemos nos referir a um oportuno e bem sucedido affair com a companheira. Codeloco…

Para quem, verdadeiramente, se interessou nesta associação quase irresistível apresentada pela corrida, tome a decisão mais díficil de todas que é começar. Os demais passos, acabarão se tornando mais fáceis. Existem diversos programas para os mais diversos níveis de sedentarismo e/ou obesidade em que você se encontra hoje. Qualquer hora, pode-se dizer, é boa hora para começar, desde que sejam respeitados os seus limites, o seu condicionamento e as etapas que deverão ser alcançadas paulatinamente. Importante considerar que o acompanhamento de um profissional nas áreas médica, nutricional e de educação física, garantirão o sucesso da mudança que será operada em você. Após o sinal verde dado pelos exames médicos prévios e obrigatórios, siga à risca as instruções passadas por seus orientadores. Eu garanto que você vai começar andando e quando você menos esperar já estará correndo. A distância e a velocidade, você escolhe depois, em função daquilo que mais lhe agradar. Isso, sem contar que você vai ficar cansado de ouvir: “….mas, amor, de novo….?!….”.

É por isso que eu posso dizer que amo a corrida, mesmo naqueles períodos em que não estou correndo o tanto que gostaria. Tenho horror a pensar na morte. Mas, sei que trata-se de uma inevitabilidade da natureza. Que seja! Já que temos que morrer mesmo, com a corrida sempre constante em nossas vidas, que seja da maneira mais digna possível, ou seja, aos noventa e nove anos, com o tênis de corrida ao pé da cama, fazendo sexo, quando o lustre do quarto cai sobre a sua cabeça. Pronto!…Melhor ainda do isso!? Bom….então……aos cem anos??!!

HSF

“Corredores. Sim, nós somos diferentes”

Saturday, March 21st, 2009

Academia de ginástica é um ambiente interessante pelos tipos que lá se vê. É tão eclético que encontramos pessoas das mais diversas profissões e motivadas pelas mais variadas razões para, muitas vezes, acordarem cedo ou deixarem de fazer outras coisas (…quase sempre menos interessantes…), para estarem lá, no meio de um monte gente suada, dando o seu “sangue”, por puro prazer ou, no mínimo, por reconhecer a necessidade de fazê-lo.

É também na academia que se conhece pessoas. Umas demoram mais do que outras para se “deixarem” conhecer mas, ao final, com o passar do tempo e com a “forçada” convivência, a primeira conversa “puxada” é questão de tempo pra acontecer.  Vou a academia bem cedo, quase todos os dias, para tentar fortalecer a musculatura (…já meio cansada de guerra…), principalmente dos membros inferiores, para que na hora em que eu estiver correndo, pelas ruas ou em qualquer outro ambiente, nenhuma surpresa desagradável apareça, fazendo com que eu fique de molho por prazo indeterminado.

Só tem que, devo admitir, ao contrário de outros praticantes de corrida, eu simplesmente adoro a esteira! Se existe o termo “rato de academia”, eu poderia perfeitamente me auto-denominar “hamster de academia”, porque parece adorar ficar correndo naquela rodinha, sem sair do lugar. Se eu prefiro a esteira à correr no chão firme? Depende. Se for um lugar bonito com árvores em volta, vento fresco no rosto, silêncio precioso quebrado só pelos sons de animais silvestres, não tenha a menor dúvida: jogo a esteira no lixo. Mas, se for num ambiente tenso, poluído com ruídos e gases de veículos, com risco de ser assaltado, quebrar o pé num buraco ou mesmo de ser atropelado, sou mais a esteira de academia, mil vezes. O meu preparador é que fica bravo, tentando me mandar para rua. Ele sabe que se depender de mim, fico é na esteira mesmo e, com isso, comprometo o treinamento dele…..rs…..

Num dia desses, após uma corrida de 1 hora na esteira, a uns 9 Km/h (…um treino pianinho….), estava eu alongando ainda em cima da máquina, quando se aproximou um senhor, de cabelos brancos, cujo nome não sabia, embora eu o visse todos os dias naquele local. Virou pra mim e perguntou:

- Rapaz, me desculpe a pergunta, mas tenho visto você correndo aí já não é de hoje. É impressão minha ou você, às vezes, fica rindo sozinho, enquanto corre?

- Olha, o senhor tem razão. Eu acho que eu fico rindo em alguns momentos mesmo…..

- Mas, isso é normal?! (brincou o velhor senhor). É o que você fica ouvindo no seu ipod, que o faz rir?

- Não…não. No ipod só tem música (principalmente reggae). Na verdade, não sei bem explicar não. Simplesmente me dá vontade de rir e é isso que eu faço….rs… (….não ia entrar no mérito de que aquela “euforia” se dava em função das doses de endorfina, proporcionadas pela corrida, jogadas na minha corrente sanguínea, né?!…rsss….Eu ia parecer um babaca, entrando nesta seara…..rs….)

- É………vocês, corredores, são bem estranhos mesmo, não é!? (…e voltou para o seu abdominal, morrendo de rir…).

Bem, “estranhos”, eu não diria. Mas, “diferentes”, com certeza! Isso me faz lembrar uma espetacular campanha publicitária promovida pela Adidas , que vi pela primeira vez, nas revistas “Runners” americanas, de 1999, que chegavam em minha casa com quase 2 meses de atraso, cujo título destacava exatamente a diferença típica de comportamento dos praticantes de corrida. Seu título original era “Runners. Yeah, we´re different“, que em tradução livre seria “Corredores. Sim, nós somos diferentes“. O mais engraçado é que a campanha “diz” tudo somente através de fotografias, extremamente oportunas e bem tiradas (…ou boladas…). É quando a gente vê corredores fazendo aquilo que para a maioria das pessoas é pura maluquice mas, pra nós, algo absolutamente comum.

Consegui algumas fotos da campanha original e terei o maior prazer em compartilhá-las com os leitores. São todas ótimas, mas tem duas melhores, na minha opinião. Uma é a foto de uma mulher com olhar intrigado ao ver um corredor de rua no warm up (antes do início da prova), colocando band aid no “biquinho” do peito (correr mais de 1 hora e meia sem esta “proteção”, causa uma assadura horrível, que você fica se lembrando por 15 dias, no mínimo). A outra é a de uma senhora que está num consultório médico espantada ao ver, nas paredes, tantos números de inscrição em diversas corridas de rua (…daquelas colocas no peito do corredores com quatro pregadores…), emolduradas, como se fossem diplomas de formatura. Provavelmente, o médico devia ser um orgulhoso corredor que fazia questão de mostrar em que cidades do mundo ele teve a oportunidade de correr. Repare que ganhar ou perder, não faz a menor diferença, neste caso. O fato de se ter participado e chegado é que deve ser lembrado, tanto é assim, que não há medalhas nem troféus pendurados, só a prova de que ele participou. O que mais posso dizer, antes de lhes apresentar a campanha? Coisas de corredor…..

HSF

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