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Feliz aniversário, Madiba!!

Sunday, July 18th, 2010

Uma de minhas leituras preferidas é a biografia. Lendo a história de vida de grandes personagens ou heróis tento achar algum indício de que realmente estas pessoas eram “normais”, como eu ou você.

Procuro atestar que cometiam erros, que tinham de enfrentar seus medos e suas inseguranças e que o que as diferenciava, realmente, eram “apenas” as suas convicções e sua obstinação em alcancar seus objetivos. Assim, mantenho minhas chances (ainda que remotas) de algum dia, se capaz de poder fazer algo útil à humanidade…

Mas, nem sempre é fácil me convencer de que não se tratam de pessoas muito especiais (diferentes para melhor!). Um bom exemplo disso é quando analiso a história de vida de Nelson Mandela que, hoje, completa 92 anos. Um dos maiores líderes do movimento anti-apartheid, foi preso político do governo opressor, durante 27 longos anos.

Quando foi libertado, em 11 de fevereiro de 1990, continuou liderando seu povo até se tornar Presidente da África do Sul. Em nenhum momento, nutriu qualquer tipo de sentimento negativo contra aqueles que o subjugaram no passado. Bem ao contrário, repudiava o ódio aos brancos (social e economicamente dominantes no passado próximo), toda vez que percebia sentimentos de vingança por partes de seus seguidores.

Algumas de suas mais profundas convicções se evidenciaram quando ele retornou, em visita, à cela em que ficou preso por quase três décadas (Paulo Coelho´s Blog):

Nada mais importante que voltar a um lugar onde nada mudou, para descobrir o que ainda permanence inalterado em você.

Educação é a arma mais poderosa para transformar o mundo. Liberdade não é apenas retirar as correntes dos outros, mas também viver com respeito pelos direitos daqueles que agora estão livres.

Se você conversar com alguém em uma linguagem que esta pessoa possa compreender, ele pensará no que você disse. Se você utilizar a língua desta pessoa, neste caso tocará seu coração.

Se pretende estar em paz com seu inimigo, convide-o para trabalharem juntos. A partir daí, ele será seu companheiro.

A melhor liderança é aquela que permite aos outros caminharem diante de você no momento de uma vitória. Caminhe na frente só em momentos de perigo.

Que a liberdade possa reinar. O sol nunca se põe quando conseguimos algo importante. Só homens livres podem negociar; prisioneiros não conseguem.

Não existe qualquer paixão quando se pensa pequeno, escolhendo uma vida menos interessante do que aquela que poderia ser vivida.

A sua liberdade e a minha liberdade estão unidas. Não existe algo chamado “meio livre”.

Quando a água começa a ferver, é meio idiota desligar o fogo.

Enquanto eu leio sobre a vida de Mandela, para me sentir mais motivado a enfrentar as nada difíceis trivialidades da boa vida burguesa, Mandela lia William Ernest Henley, poeta inglês, que contribuiu para inspirá-lo a ser um dos maiores nomes da história contemporânea do Mundo, um incansável lutador por ideais de liberdade e igualdade, um verdadeiro herói que deixa o seu exemplo vivo para sempre.

Sei que estou longe de ter o altruísmo e a coragem que marcaram este líder. Se ele é, de fato, uma pessoa normal, receio que seja infinitamente mais normal do que eu. Por isso é que o admiro tanto. Ainda bem que existem pessoas como Mandela. Parabéns, Madiba!O aniversário é seu, mas o maior presente você já nos deu. Muito Obrigado.

HSF

INVICTUS

(William Ernest Henley)

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

(tradução André C S Masini)

Trekking ES Sul – do papel para a história…

Tuesday, February 2nd, 2010
Eu na praia de Marobá
Eu (praia de Marobá)

…É rico, é pobre, é feio, é bonito, é branco, é preto, não interessa! No final, vai todo mundo pro mesmo buraco… prlroo burlraaacoo…..” . Esta autêntica filosofia de botequim foi dita, em voz bastante alta e arrastada, por um inofensivo “bebum” que passava ao nosso lado, enquanto tomávamos uma água de coco bem gelada, de frente à bonita praia de Marobá (sul do Espírito Santo), iluminados por uma espetacular lua cheia e pelo gratificante sentimento de dever cumprido, ao vencermos a primeira etapa de nosso trekking, completando 12,5 Km, em 4 horas e meia de caminhada pela praia. A sexta-feira já estava no fim. Era quase hora de dormir e se preparar para o dia seguinte…

Este trekking foi todo planejado com o uso do Google Earth (para baixar roteiro clique aqui). Com a providencial ferramenta, foi possível mapear nosso ponto de saída, praia das Neves (extremo sul do estado do Espírito Santo), calcular o tamanho aproximado das duas “pernas” de caminhada (entre 10 e 15 Km, cada) e escolher os pontos de apoio, ou seja, locais prováveis para que pudéssemos chegar, tomar banho, comer alguma coisa, apreciar ligeiramente as características locais e, claro, desmoronar o esqueleto em alguma cama honesta, para aprontá-lo para o dia seguinte de programação.
Manguezal - Marco zero

Manguezal - Marco zero

caminho deserto 1

caminho deserto 1

caminho deserto 2

caminho deserto 2

caminho deserto 3

caminho deserto 3

Falésias e beleza natural

Falésias e beleza natural

Falésia - chegada estava próxima

Falésia - chegada estava próxima

Garças - presença constante

Garças - presença constante

Lagoas: presença constante ao longo do caminho

Lagoas: diversas ao longo do caminho

companhia: especial e inspiradora

companhia: especial e inspiradora

O sul do Espírito Santo mostrou-se, realmente, muito bonito. Logo na saída do Trekking, no extremo sul do estado do Espírito Santo, avistamos a divisa geográfica entre nosso estado e o estado do Rio de Janeiro, o rio Itabapoana. Pouco depois do local em que desemboca o rio, nas areias brancas da praia, antes da movimentação natural (quiosques e banhistas) da praia das Neves, foi nosso local de partida. Foi nosso marco zero!

A primeira etapa, não foi nada fácil. Vento forte contra, sol escaldante e uma severa inclinação na areia, eram fatores a serem superados neste trekking. Além disso, a areia era bastante (,) fofa. (..aliás, para distrair e sacanear os outros, a gente colocava uma vírgula, entre o “bastante” e o “fofa”, sempre que se referia ao estado da trilha…..rs….falta do que fazer….).

Foram 12,5 Km de uma imensidão de areia e mar, boa parte, completamente deserta. Uma verdadeira terapia. Nos primeiros 3 Km, é um falatório só. Depois, um silêncio avassalador (…só se ouve o vento e o mar, imponentes!…). É quando a gente se encontra com a nossa consciência e faz as pazes com tudo aquilo que nos traz felicidade e tranqüilidade. É quando vemos que precisamos de muito, mas muito pouco para sentirmos alegria de viver. É aí que vemos como temos nos violentado, em nosso dia-a-dia, numa corrida de “ratos” maluca, à procura de algo (..nas coisas, no consumo…) que já está em nós….

amigo canino: uma grata surpresa!

amigo canino: uma grata surpresa!

"siri" - sempre vigilante

"siri" - sempre vigilante

Esta primeira etapa de nosso trekking teve um personagem único e inusitado. Quando passávamos em frente à praia das Neves, um cão alegre se aproximou, balançando o rabo. Como nós não o espantamos (…coisa que outros deviam fazer…), ele se juntou ao grupo. Pensei que fosse andar um pouquinho só ao nosso lado e depois voltar para a vila. Engano meu! O bichano nos acompanhou por toda a primeira etapa. Caminhou conosco, mais de 4 horas, até chegarmos na praia de Marobá.

O mais curioso era a sua atividade predileta. Ele avistava ao longe um siri branco de praia (…também conhecido como guruçá…), corria atrás, cercava, latia e tentava pegar com a boca sua “presa”, até que ela conseguisse fugir pro mar. Daí a pouco, fazia tudo de novo, quando enxergava um novo infeliz morador daquelas areias. A gente percebeu que ele não tinha intenção nenhuma de machucar o siri (…embora talvez o fizesse, às vezes…rs…). Era pura diversão. Aquele cachorro tinha personalidade e sabia o que queria. Impressionou a gente, pela sua independência e felicidade. Ficamos amigos e pra não chamar um amigo de “cachorro”, demos a ele um nome bastante sugestivo: “Siri”.

Pousada Baleia Branca: honesta

Pousada: honesta

Chegamos na praia de Marobá, cansados, mas muito contentes com o feito. Ficamos hospedados na Pousada Baleia Branca. Um local super limpo, honesto em tudo e cujos proprietários são gente (de Juiz de Fora (MG)), simples e acolhedora, a Carla e o Sr. “Tchê” (pai) (Pousada Baleia Branca – (28) 3535-4099 – Marobá e (32) 3237-9272 – Juiz de Fora / Diárias com café da manhã custam em torno de R$ 80,00/US$ 43,00).

Em Marobá, ainda de “gruja”, acompanhamos um evento muito interessante: Marobá Acro Brasil: I Etapa do Circuito Brasileiro de Acrobacias de parapente. Parecia um evento internacional, pela quantidade de “gringo” fazendo graça com os parapentes no ar. Só tinha fera. Quem imaginaria que encontraríamos essa atração lá, não e mesmo!? A própósito, a Prefeitura de Presidente Kennedy está de parabéns pelo investimento que tem feito em seu verão. Muito legal e vale a pena conferir.

No dia seguinte, o mais cedo possível (…rs…), partimos para a realização da segunda etapa do desafio. Não tínhamos mais a companhia de “Siri”. Quem sabe ele tenha encontrado novos “amigos” e novos destinos, que satisfizessem àquele seu invejável espírito livre? (…desejamos ao “Siri” boa sorte!…). Apesar disso, consideramos um trecho mais tranqüilo. As baías eram menores, a areia não era mais tão fofa e o trajeto não se apresentava tão inclinado como antes. Também começamos a ver lindas falésias e pedaços de mata de restinga intocável. Foi um espetáculo. Fizemos os 11 Km em 3 horas e meia. Chegamos triunfantes ao Camping do Siri, nosso destino final. Lá, já tínhamos nossas reservas, na pousada, registradas. Foi lá que, há dois dias, havíamos deixado o carro e fomos levados de táxi para o extremo Sul do Estado. Aliás, o motorista foi o Sr. Delci ((28) 9883-0849/3532-4180 – corrida custou R$ 90,00/US$ 48,00). Sujeito prestativo e falante. Tenho certeza de que terá o maior prazer em levar outros andarilhos para a saída na trilha, que descobrimos. No Espírito Santo, certamente, é o ponto mais ao sul, pertinho do mangue que margeia o rio Itabapoana.

Passamos à noite de sábado rindo à toa e, sempre, regada à água de coco, vinho e cerveja (…muito chato….rs…). No domingo, ficamos de molho o dia todo, aproveitando a ótima praia do siri, de frente ao Camping. O corpo doía, mas a alma estava radiante! Lembrei da frase célebre muito usada por maratonistas: pain is temporary, proud is forever (a dor é temporária, o orgulho é para sempre).

Eu já sabia, mas para os que se aventuraram pela primeira vez, foi uma constatação de que fazer um trekking é algo extremamente gratificante. Lava a alma e nos leva a diversas reflexões. Desde a nossa insignificância diante da grandeza da natureza ao valor das pequenas coisas, dos gestos mais simples, nada passa despercebido, após horas caminhando numa praia deserta. É comum a gente perceber que costuma complicar as coisas. A nítida impressão que temos é que a vida podia ser mais fácil. Enfim, trekking é tão bom que não podemos passar muito tempo sem uma nova programação. Breve, faremos novas caminhadas e, quem sabe, conseguimos cobrir toda a costa do Espírito Santo em menos tempo do que se possa imaginar, não é mesmo!? Tenho certeza: companhia é o que não vai faltar…rs….

Costumo dizer que você nunca termina um Trekking, exatamente como começou (…não me refiro aos naturais calos e bolhas no pé….). Ao final, os laços de amizade, entre as pessoas que participam, se reforçam e nossa auto-estima se reconstitui. A gente vê que ali, na trilha, todo mundo parece igual diante do mesmo desafio assim como sempre deveria ser, fora dali. Afinal, de fato, somos todos muito parecidos em nossos anseios, medos, desafios e desejos. Foi quando lembrei do início deste post, do recado daquele “bebum” de Marobá e, pensei:e não é que o ébrio tem razão?!….rs….

É desse jeito!!!…..

HSF

Falando difícil

Wednesday, January 20th, 2010

Rui_Babosa_atireiopaunogatoEsta eu recebi de uma grande amiga, Jane Moura, exímia conhecedora do português e também do bom e velho inglês, ao se referir aos conhecidos exageros de linguagem, vistos com certa regularidade, em alguns textos.

HSF

Conta a história que o grande jurista Rui Barbosa, num certo dia, ouviu barulho estranho no quintal de sua casa e foi verificar o que era. Deparou-se com um homem muito mal vestido que estava roubando aves. Rui Barbosa reverberou:

- Oh, bucéfalo anácroto! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos  bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito de minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes  isso por necessidade, transijo, mas se é para zombares de minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima  potência do que o vulgo denomina nada.

 O  ladrão perguntou:

- Dotô, eu levo ou deixo os patos?”

Dalai Lama e um de nossos principais paradoxos

Sunday, March 8th, 2009

 

dalai_lama_oficial1

 

“… Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido…”


Montaigne e a atitude perante a morte

Sunday, March 1st, 2009

Quando descrevi aqui a emocionante luta pela vida de nosso vice-presidente José Alencar, enfatizando a grandeza de espírito que ele demonstrava diante de circunstâncias tão delicadas e pessoais de sua vida, parece que toquei em tema bastante polêmico e que, pelo número de visitas do referido post, é tema recorrente em muitas mentes.

Mas, não é de hoje que este assunto vem sendo tratado pelas pessoas, principalmente por pensadores. O filósofo francês, Michel Eyquem de Montaigne,  do século XVI, exprime bem este pensamento em um de seus ensaios, com uma frases das mais célebres de toda a sua coleção:

 

Michel de Montaigne

Michel de Montaigne

 

 

“…nada mostra com tanta clareza a estatura de um homem como a sua atitude perante a morte..”

logo


Privilegiados, somos nós, Sr. vice-presidente!…

Thursday, February 19th, 2009

Poucas vezes lembro de ter me emocionado, verdadeiramente, diante das declarações ou das atitudes de algum político. Não por eu nutrir qualquer tipo de idéia pré-concebida de que políticos “mentem” ou “só querem se dar bem”, como volta e meia, ouve-se por aí. Não! Nem teria sentido, pois além de discordar desta “regra geral”, a minha convivência com políticos e até mesmo como político não me deixariam em posição confortável para assumir tal postura, tão alicerçada no “lugar-comum”.

Mas, defendo com a mais absoluta convicção, de que na maioria dos casos, os políticos, por força de seu ofício, precisam apresentar verdades circunstanciais ou, em outra hipótese, precisam “confundir” seus observadores, enquanto planeja, intimamente, exatamente aquilo que quer. Em linguagem mais popular, como já ouvi, algumas vezes, da boca do próprio Governador Paulo Hartung, deve-se fazer como cavalo da roça, que vira a cabeça para a esquerda, mas faz a curva para a direita.

Entretanto, em um determinado momento, único, os políticos conseguem marcar e emocionar, de verdade, o seu público. É quando se deixam ser humanos, como nós. É quando se vêem diante de uma situação que nada combina com acordos, “canetadas”, apertos de mãos, trocas de favores ou qualquer outra prática tão comum em suas vidas profissionais. É quando se vêem diante de uma grave doença ou da própria morte, por exemplo. (more…)

Colhendo o que plantamos

Tuesday, January 20th, 2009

cartao_guido_2008

Neste final de ano recebi vários cartões de amigos. Um, em especial, do escritório de advocacia Guido Pinheiro Côrtes, merece a nossa atenção pelo bom gosto e pela frase que estampa.

“Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos.”

Einstein e a nossa missão na Terra

Friday, January 16th, 2009

einstein1“Estranha a nossa situação aqui na Terra. Cada um de nós vem para uma curta passagem, sem saber o por quê, ainda que algumas vezes tentando advinhar um propósito. Do ponto de vista da vida cotidiana, porém, de uma coisa sabemos: o homem está aqui pelo bem de outros homens – acima de tudo daqueles de cujos sorrisos e bem-estar nossa própria felicidade depende.”

Albert Einstein (1879-1955)