Archive for the ‘Política’ Category

Rui Barbosa e a injustiça

Wednesday, January 20th, 2010

Outra boa passagem do letrado Rui Barbosa, desta feita, registrada oficialmente nos anais do Senado brasileiro, por ocasião de um de seus discursos naquela Casa. É de impressionar como o conteúdo de sua fala reverbera até os nossos dias com a mais absoluta modernidade e adequação à nossa triste realidade sócio-cultural.

É uma verdadeira crítica àquela velha tônica de que as pessoas precisam sempre se dar bem em tudo, ainda que, de forma desonesta e desonrosa. A famosa “lei de Gerson” já existia naquele tempo, só que com outros nomes.

O discurso chama a atenção para o cada vez mais presente exemplo em que, algumas pessoas, chegam a se envergonhar de terem agido de forma a ser classificada, pelo senso comum, como “honesta”. É como o caso de pessoa simples que devolve carteira recheada de dinheiro. Pela notória inversão de valores a que estamos todos submetidos, tal ato, ao invés de ser aplaudido, pode até ser criticado por iguais que, indignados com a tamanha “burrice” e desaforo de alguém devolver dinheiro achado, quando dele tanto se precisa.

Rui Barbosa já tinha visto isso…

HSF

 

“O Sr. Rui Barbosa - A falta de justiça, Senhores Senadores, é o grande mal de nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta nação.

A sua grande vergonha diante do estrangeiro é aquilo que nos afasta dos homens, os auxílios, os capitais.

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêem nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agitarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto…..”

“Contradição” é da vida

Tuesday, January 5th, 2010

Gato_e_rato_Amigos_AtireiopaunogatoFalar de princípios e valores é mexer em vespeiro. Mas, para começar o ano sem fugir à regra de escrever sem amarras, vale a pena correr mais este risco.

É muito comum, quando conveniente, alguém sacar da manga a questão da coerência. Não raro, você acaba ouvindo: “…mas, você não está sendo coerente?!…”. E a pessoa, normalmente, tem razão mesmo! Provavelmente você não esteja mesmo sendo coerente. Mas, e daí!? Qual o problema? Quem disse que as pessoas precisam ser coerentes? Sou até capaz de afirmar que a coerência plena e absoluta não existe, pois não passa de utopia criada na cabeça daqueles que fingem (…uns fingem até muito bem…rs…) que isso é possível.

O exemplo dos políticos é emblemático! Todo mundo cobra coerência dos políticos, mas muitas vezes, ser coerente é simplesmente impossível. IMPOSSÍVEL! Se o cara tentar ser coerente, em algumas situações, estaria sepultando todos os seus projetos políticos futuros. Exemplo: faz-se um acordo de apoio político a uma determinada pessoa e contra um determinado grupo político. Só que 1 ano após o acordo feito, o tal “apoiado” começa a fazer uma merda atrás da outra. Além disso, aquele grupo que se apresentava como hostil, no passado próximo, hoje, começa a mudar a tônica da relação, estendendo a mão para o estreitamento de projetos comuns, etc…. Eu não tenho a menor dúvida de que o acordo outrora firmado foi para o vinagre. Alguém teria alguma dúvida disso!? Aí, mesmo assim, um oportunista qualquer vem cobrar coerência!? Chega a ser engraçado. É de se perguntar: será que quem critica, no lugar do político ou da pessoa em questão, manteria o acordo feito no passado e apoiaria um boçal que só fez queimar o filme em suas últimas aparições públicas?? Claro que não…..

O Poeta dizia: “….prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”. A frase, para meu perfil, soa como exagerada. Mas tem sentido, não posso negar. Não há como ser coerente, quando as circunstâncias mudam. Não há! E as circunstâncias só fazem é mudar o tempo todo.

Outra prática comum é o uso de rótulos. “Fulano é honesto! Beltrano é competente”. Não cola. Isso porque as pessoas se apresentam sob várias nuances. O perfil de cada um não é preto ou branco e, sim, “multitonal” entre o branco e o preto. Isso mutila a famigerada coerência, não é mesmo!?

Uma vez um cliente falou pra mim: “...fique tranqüilo, pois eu sou honesto...”. Fui até mal interpretado quando perguntei a ele: “…como a assim honesto?...”. Ora, perguntei aquilo sem nenhuma ironia, por incrível que pareça. Por quê? Por que o sujeito é humano como todos nós e, por conseguinte, tem falhas que podem fragilizar aquela afirmação. Senão eu pergunto: seria possível acreditar que alguém que trai a esposa com uma amante, mas paga todos os seus impostos em dia seria uma pessoa honesta? Seria possível levar a sério um eleitor que chama político de corrupto, mas quando vai votar quer antes saber se o emprego do parente já está garantido? E quanto ao empresário que sonega, seria ele menos criminoso do que aquele político safado que desviou verba da merenda das crianças? O fato é que se não houver uma enfática delimitação do tema, a coerência não pode ser aplicada ou cobrada.

Por estas convicções que tenho, às vezes, sou flagrado rindo sozinho, ao ouvir a declaração de alguém que se diga “baluarte da honestidade” ou “baluarte” de qualquer outra virtude, por exemplo….Um cara desse deve ser tratado com o mesmo cuidado que se deve ter quanto as reais condições de fabricação da lingüiça, ou seja, é melhor você nem conhecer a fundo, pois vai se decepcionar….rs….

Não pretendo manter coerência absoluta quanto às minhas impressões sobre este polêmico tema, pois posso ser convencido do contrário, é claro. Mas, por enquanto, só um idiota conseguiria manter a coerência durante todo o tempo, ainda que as circusntâncias originais tenham se modificado. Mas, isso facilita muito as coisas. Porque se um dia alguém me falar: “...mas, agora, você não está sendo coerente!...”. Eu só devo me limitar  a responder: “Você tá me chamando de idiota?!”.

HSF

O Brasil decolou?

Tuesday, December 8th, 2009

Brazil_Takes_offEm recente reportagem da revista “The Economist“, “Brazil takes off”, o Brasil foi apontado, definitivamente como a bola da vez, para desenvolvimento, riquezas e oportunidades.

A matéria enfatiza a redução dos riscos de investimento no país e todas as suas potencialidades. Deixa claro que agora o maior risco para a história do grande sucesso da América Latina é a arrogância!…rs…

Já em 2001, os economistas da Goldman Sachs inseriam o Brasil, juntamente com a China, Russia e Índia, no time das economias que dominariam o mundo, nos próximos anos.

Brazil_The_Economist_atireopaunogatoQuando veio a crise norte-americana, podemos dizer que tenha sido um grande teste para nós e também para aqueles economistas da Goldman Sachs. E se o Brasil não resistisse? Pois o que vimos foi uma inesperada reação de uma pujante economia que, se por um lado não conseguiu se livrar dos efeitos da crise, pode-se dizer que foi uma das últimas nações a entrar em crise e uma das primeiras a sair. Hoje, segue de novo, com crescimento econômico sinalizando uma ultrapassagem pela casa dos 5% anuais. Os economistas estavam certos. O “the economist” também está, principalmente quando aponta como um dos maiores riscos a “arrogância”. Todo mundo deve lembrar da declaração de nosso Presidente Lula, fazendo alusão a uma famosa “marolinha”….. kkkkk…melhor deixar isso pra lá.

Friedman_proximos_100_anosEm setembro deste ano, a editora Best Seller publica um polêmico livro do cientista político americano George Friedman, intitulado “Os próximos cem anos”. O autor é categórico ao afirmar que nos próximos cem anos não tem pra ninguém! Que Brasil, China, Rússia, Índia ou qualquer outro país que nada! Quem vai continuar dominando o mundo e fazendo dos outros “gato e sapato” são, exatamente, os Estados Unidos!!!! Será mesmo!?…

Não é a primeira vez que alguém publica livros premonitórios no campo da geopolítica, alguns inclusive, com o mesmo título relacionado aos “próximos 100 anos”.

Eu gosto muito dos Estados Unidos! Nunca resisti à tentação de ceder ao consumismo daquele povo. Aliás, sou um consumista declarado e controlado, mas sei que sou! Independente disso, percebo nítidos sinais de “fadiga” daquela sociedade. Já vi, inclusive, estudiosos afirmarem com todas as letras de que se trata de uma nação em plena decadência.

Mas, o Friedman não enxerga assim não. Ele justifica que apesar de ser americano, possui fortes argumentos para defender a idéia de que, assim como nossos pais, também nossos netos e bisnetos serão condenados ao fascínio encantado dos Ipods e dos Big Macs.

Fico a me perguntar, da mesma maneira que discuto futebol num boteco, sem nunca ter jogado bola na vida, como seria possível duas opiniões tão divergentes: uma que aponta a nação norte americana em franco declínio social e econômico e ascensão dos emergentes citados e outra que ignora tudo isso e diz que serão os americanos, como têm sido, os verdadeiros dominantes do próximo século???

Não torço, de forma nenhuma, para a concretização da decadência dos Estados Unidos, mas torço muitíssimo para que o Brasil possa ser a grande potência econômica que tantos esperam. Um país celeiro do mundo. Um país auto suficiente em recursos naturais e independente quanto à sua matriz energética. Um país sem fome, sem analfabetismo, com justa distribuição de renda e exemplares políticas de proteção ao meio-ambiente. Por isso, espero que o Friedman esteja redondamente enganado em suas previsões, no que tange à sua indiferença em relação ao Brasil. Sonhar ainda é possível, ou não!?…

De qualquer maneira, daqui a 100 anos a gente confere se o que ele convincentemente afirma era certo ou não.

Enquanto isso, tratemos de escolher melhor nossos representantes do executivo e do legislativo, pois o futuro é feito com base nas escolhas que fazemos hoje. E não há nada mais destrutivo para o sucesso de uma nação quanto à irresponsável eleição de seus gestores públicos.

HSF

Vitória: cada dia mais linda!

Tuesday, September 15th, 2009

Vitoria_atireiopaunogatoEu amo Vitória! Os estudiosos costumam dizer que o amor é um sentimento que se apresenta em “cores” e formas distintas dependendo de como e com quem você se relaciona. Eu só espero que também tenham explicação para esta forte cumplicidade e incondicional amor que sempre nutri pela minha cidade natal.

Como nas pessoas que amamos, nas cidades, também encontramos defeitos, falhas, fragilidades e projetos inacabados, passíveis de críticas, naturalmente. Só que, embora saibamos terem fundamento, não nos sentimos à vontade quando ouvimos isso de algum “estranho” ou morador de outra cidade. Imaginem alguém chamando um filho seu (ou parente próximo) de “orelhudo”, por mais consciência que você tenha da referida deficiência!? Você não ficaria nem um pouco satisfeito, não é verdade!?

Lembro que, certa vez, ainda na condição de secretário municipal, do agradável município de Vila Velha(ES), em plena reunião de secretariado, foi inevitável criar um certo mal estar com o Prefeito Max Filho. Ora, ele abriu a reunião, irônico, achando muito engraçada uma carta de leitor publicada em “A Gazeta” que, em resumo, ridicularizava a nossa Capital. Não lembro dos detalhes, mas em linhas gerais, dizia que “Vitória era mesmo uma cidade maravilhosa pois suas duas vistas mais bonitas eram a do Penedo e a do Convento da Penha” (localizadas em Vila Velha), e que “as suas melhores praias começavam na Praia da Costa e iam muito além da linda praia de Itaparica…”, também, ambas em Vila Velha. Como NUNCA tive “papas na língua”, pedi a palavra e disse ao nobre Prefeito que um político com a sua ‘”estatura” e notória pretensão de exercer outros cargos estaduais (….governador, por exemplo, como sempre quis…), deveria medir as suas palavras ao criticar a Capital, bem como, evitar o obtuso fomento a bairrismos abomináveis entre cidades coirmãs. Tirando os muitos puxa-sacos de plantão que riam da piadinha, as demais testemunhas poderão afirmar o acontecido e confirmar que o “alcaide” não gostou nem um pouco de nossa intervenção.

Claro que não se podia esperar outra reação de uma cara que foi nascido e criado no bairro de jucutuquara (na “nação” jucutuquara), timidamente, torcedor do Rio Branco e da Escola de samba Unidos de Jucutuquara. Um cara que em sua biografia vai poder dizer que já tomou um inofensivo, mas crestado tiro de sal nas costas, ao ser flagrado por segurança do Museu Solar Monjardim, sobre um pé de manga, degustando a fruta “proibida”. Mais tarde fui saber, pela academia, que aquela arriscada aventura de menino, no direito, se chamava furto e invasão de propriedade….rs…Mas, honestamente, pergunto: como eu poderia ficar inerte ao terem falado mal de minha cidade, de minhas raízes?…

Para ser justo, a antiga luta dos Max em favor de sua terra (Vila Velha) tem um certo sentido. O fulcro central estaria na injusta distribuição de renda, entre os municípios, resultado de políticas tributárias parciais e tendeciosas, como o Fundap, por exemplo. Não comungo, plenamente, com esta tese, mas analisando os números, entendo perfeitamente a revolta dos “canelas-verdes”. No meu último ano no executivo de Vila Velha, o orçamento anual daquela cidade girava em torno de uns R$ 150 milhões, enquanto Vitória “brilhava” com um orçamento de uns R$ 850 milhões. Se considerarmos que a área de Vila Velha é 2,23 vezes maior do que a de Vitória e sua população supera 30% a da capital (só ilha), de fato, algo nos leva a crer que tal distribuição mereça uma mais justa revisão.

Vitoria_atireiopaunogato_2Independente da polêmica de que Vitória seria mais fácil administrar por ter mais dinheiro (o que discordo!), devo salientar que tivemos sorte, muita sorte, em nossos últimos chefes de executivo municipal. Que tenham marcado a minha lembrança, iniciaria o “pacote” de mudanças significativas em nossa querida Vitória, a partir da gestão do Dr. Vitor Buaiz que, embora esquecido, fez uma gestão elogiável. Depois veio Paulo Hartung, cujas inovações (principalmente sociais) foram seguidas e saudavelmente ampliadas pelo Prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. Luiz Paulo foi e é um dos políticos mais inteligentes que tive a oportunidade de ver atuando. Mesmo aparentemente “indisciplinado” (no jeito de ser), em suas falas, sempre teve sacadas, verdadeiramente, geniais. (Só perde para o PH, na capacidade de se articular e colocar “vascaínos e flamenguistas” do mesmo lado: do seu! rsrsrs…).

Mais recentemente, o Prefeito João Coser, um merecido retorno do Partido dos Trabalhadores ao Governo Municipal. Sou suspeito para falar da gestão de João (..fui subsecretário e secretário em sua gestão), mas posso dizer que quase todas as boas ações e projetos de Luiz Paulo foram continuados (…alguns só mudaram de nome, a bem da verdade…rsrsrs…). Mas, nas inovações, João mostrou-se um ótimo gestor e, além disso, um dos políticos mais inacreditavelmente leais com os quais já tive o enorme prazer de trabalhar.

Como se pode ver, a construção de uma cidade, ao longo das várias gestões administrativas, carrega uma rica história, jogos de interesse (naturais em política!) e um conjunto de forças que diante de uma “maestro” inábil, certamente, resultaria em desastre ao desenvolvimento municipal. Não foi assim com Vitória, graças às nossas acertadas escolhas e a uma conjuntura aleatória de fatores que, por sorte, conspiraram a nosso favor.

As duas cidades (em uma), amplamente divulgadas nas duas últimas campanhas eleitorais, uma rica e próspera e outra miserável, ainda existem. Suas diferenças vão diminuindo lentamente com os programas sociais e empenho das administrações municipais citadas. São cicatrizes sociais que demandam muito tempo para serem reparadas. Mas, conforto-me ao acreditar que trilhamos pelo caminho correto.

Por mais que eu goste de viajar (…e eu gosto bastante!…), quando retorno, é indescritível o meu prazer ao reconhecer, ainda de longe, a geografia, a arquitetura, monumentos e jardins desta linda cidade! E saber que no dia ensolarado seguinte, logo cedo, estarei lá, assíduo e pontual, caminhando naquele espetacular calçadão de Camburi saudando, do continente, a beleza e graça desta ilha. Parabéns a todos que participaram desta construção, pois tornaram possível esta grande “vitória”. Uma Vitória de todos nós capixabas!

HSF

O “garimpo” na política

Monday, August 10th, 2009

Como já tive a oportunidade de dizer em outro post (“política para quem precisa de política“), a política passou pela minha vida deixando muitas marcas, algumas delas, de necessário esquecimento, outras, todavia, de prazerosa lembrança, principalmente, aquelas relacionadas a pessoas especiais que tive a oportunidade de conhecer.

É como costumo dizer: na política, a gente encontra 1 milhão de motivos para se aborrecer, se decepcionar, conhecer o lado perverso das pessoas, tomar conhecimento de “esquemas” que, em geral, aquele cidadão “mortal” nunca chegará perto de conhecer.

Mas, como tudo, tem o lado bom. É o de conhecer gente de características singulares, de poder ajudar um desconhecido ou necessitado, fiscalizar o uso do erário, deixar sua marca em alguma lei, que de fato, mude para melhor a vida das pessoas ou mesmo, na realização de alguma conquista, junto a uma comunidade carente. Por tudo isso, para quem tem no sangue o gosto pela função pública, aquele milhão de motivos vira pó. É o permanente garimpo que deve ser feito no dia a dia de quem lida com a política. O ouro, embora bem escondido, está lá o tempo todo. Basta a gente localizar…

Pois um sujeito que pude ter a honra e a satisfação de conhecer e conviver, durante aquela famigerada campanha de 2002, foi o jornalista Joaquim Nery. Figura ímpar, de temperamento explosivo, leal, de senso de humor refinado e, muitas vezes, até ácido. De uma competência profissional inquestionável, com um texto envolvente e, em se tratando de política, normalmente, impiedoso com seus adversários.

Eu e Nery, tivemos momentos, realmente, riquíssimos durante o tempo em que criamos e gravamos nossos programas políticos. Dos recursos “espartanos” que tínhamos, posso dizer que fizemos milagres para que fossemos ao ar com conteúdos até muito elogiados, para a expectativa que muitos tinham. Tomamos bons vinhos e demos muitas gargalhadas juntos, rindo daquilo que, talvez, faria qualquer outro candidato ao governo do estado perder o sono. Mas, nós não! Sermos os “azarões” tinha as suas vantagens…

A empatia com o Nery foi imediata. O que mais me admirava nele é que, pagasse o preço que fosse, não mudava de lado, só porque a imprensa ou algum grupo estava “pichando” seus “amigos”. E que altos preços ele costumava pagar, em nome desta fidelidade.

Pouco tempo depois de finalizada a campanha, nunca mais ouvi falar do “famoso” Nery, ainda que eu sempre perguntasse por ele. Raramente, ouvia falar de seus “rastros”, através de amigos comuns, mas me comunicar como, se não sabia seus telefones, e-mails, etc…

Um belo dia, passando pela salinha VIP (…de ótimos vinhos, é claro!…) do Supermercado Carone, da Avenida Rio Branco, avisto uma figura que não poderia ser outra, senão o próprio Nery. Na mesma sala, em outra mesinha, estavam também meus conhecidos, o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Anselmo Tose e o Deputado Federal Dr. Lelo Coimbra (PMDB). Não perdi tempo: adentrei a sala e falei em voz alta: “…vou pedir licença para falar com a maior autoridade deste recinto!..”. Anselmo e Lelo, como era de se esperar, chegaram a abrir um sorriso e estender a mão para o esperado cumprimento, mas eu me dirigi mesmo foi ao amigo Nery, que há 8 anos me devia a satisfação de boas estórias e inesquecíveis risadas. Depois, pedi desculpas aos outros dois pela “gozação” e fui até eles para cumprir o natural ritual de respeito à liturgia dos cargos que ocupam, além de serem pessoas das quais nutro uma especial admiração.

Lá, já sentado na mesa, conversamos bastante mas, nem de longe, tudo aquilo que ainda precisávamos colocar em dia. E se não fosse o Nery que conheci e aprendi a admirar, eu não teria, logo de cara, tomado um puxão de orelha: “….você é mesmo um cagão! Tinha talento e tudo para arrebentar na política, mas amarelou!…“. É….talvez ele até tenha razão, não tanto pelo “talento”, mas por eu ter “amarelado”. Não deixa de ser uma tese válida, não é mesmo!? rsrs….

Depois de muito tempo, nos prometemos novo encontro, regado a vinho, naturalmente. Ainda não aconteceu, mas pelos e-mails que já trocamos, posso considerar que “recuperei” o contato com esta pessoa que tanto considero.

Neste final de semana, revirando meus alfarrapos, encontro uma foto histórica que tirei com o Nery, em 2002, logo após uma gravação de programa eleitoral, em frente ao estúdio. Foi o suficiente para relembrar das inúmeras passagens antológicas daquela “aventura eleitoral”, quase dantesca. Foi o bastante para eu querer prestar uma singela homenagem a quem merece muito mais. Àquele que, pela simplicidade e retidão, para mim, de fato, se tornou uma autoridade.

Um abraço, Nery! Não se esqueça de nosso vinho…

HSF

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Joaquim Nery e Haroldo Santos Filho

Gripe “A”, na Argentina. Um exagero?

Tuesday, August 4th, 2009
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Temporão e o tamanho do "pepino"

Acabo de retornar da Argentina! (Em um post específico, gostaria de poder detalhar algo sobre esta inesquecível experiência). Mas, agora, quero chamar a atenção para uma questão, no mínimo, curiosa: a gripe influenza “A”, mais conhecida como “cabeça de bacalhau”: a gente sabe que existe, mas não vê.

Tendo ficado pouco mais de uma semana naquele país, não vi sequer uma única pessoa de máscara “hospitalar” circulando por aquelas ruas. A referida cena só foi vista, em momentos raros, nos aeroportos, mas não nas cidades.

Em conversa com uma de nossas guias, a Natália, pude perceber uma certa indignação, nela personalizada, de todo o povo argentino com o nosso Ministro da Saúde Dr. José Gomes Temporão que, em pronunciamento em cadeia nacional, dia 06 de julho de 2009, abordou as medidas públicas nacionais contra a gripe “A” e, de quebra, sugeriu que se adiassem as viagens de julho, para países que tivessem o vírus “H1N1″ “circulando livremente”. Antes, porém, ele já havia definido que países eram estes, tendo a Argentina como topo da lista, dos mais próximos…

Cheguei a ouvir que o nosso Ministro passara a ser “persona non grata” em terras argentinas, por conta de suas declarações, cujos efeitos danosos, logo se refletiram em quedas nos índices do turismo argentino, relativo a brasileiros, da ordem de 60%. Esta queda impactaria até a mais sólida indústria de turismo, por isso, disseram: “…seu ministro não pisa mais aqui…”.

Não quero pagar com a língua e, logo após escrever este texto, começar a sentir dores pelo corpo e febre alta (rs…), mas fico me perguntando até que ponto o alarme oficial do Governo brasileiro não teria outras intenções, além da preocupação com a segurança nacional? Porque a consequencia imediata do “terrorismo” anunciado, foi a destruição temporária do turismo local argentino e, natural aumento do turismo interno, aqui no Brasil.

Não tenho condições de avaliar, com a devida e necessária cientificidade, se o tratamento dado ao caso, pelo Brasil, foi de fato exagerado. Mas, posso assegurar que se o foi, teríamos aí configurado um típico caso de descuido diplomático, beirando à irresponsabilidade governamental que, em termos mais “técnicos”, poderíamos classificar como uma “puta sacanagem” com aquele povo. Para outros, esta teria sido só mais uma atitude “imperialista” e inconsequente do Brasil, tendo trazido enormes prejuízos aos nossos vizinhos.

lomoalapimienta_atireiopaunogatoTeorias da conspiração à parte, o fato é que, infelizmente, o nosso querido Ministro Temporão, pelo visto, também deverá precisar adiar as suas merecidas férias, caso tenham sido marcadas para Argentina, especialmente a Patagônia. Isso porque lá, um dos pratos mais tradicionais sempre foi a carne de caça (Viado), o “Ciervo a Cazadora“, por exemplo. Mas agora, tal opção vem sendo ameaçada por outro prato de “caça”, que se tornou um dos mais apreciados pelos “hermanos”, o “Temporão, a la pimienta“. Pelo visto, eles passaram a adorar este prato que, ao que parece, deve ser bastante indigesto. Mas, também, vai entender argentino….

Fenômeno jogando, desastre falando

Thursday, July 9th, 2009

Na última segunda-feira (06/07), se alguém passasse pela porta de meu quarto, à noite, certamente, concluiria que eu estava vendo o melhor programa humorístico de todos os tempos. Erraria! Eu estava vendo o programa “bem amigos” da rede Globo/SporTV, apresentado pelo polivalente Galvão Bueno. Então, do que é que eu e minha mulher ríamos tanto!? De Ronaldo, o fenômeno!…

Meu amigo, o cara é um fenômeno jogando bola (mesmo gordinho), mas dando entrevista, em programa ao vivo, é um desastre de grandes proporções.

Foram muitos os momentos hilários, mas aqueles realmente inesquecíveis foram quando Ronaldo começou a falar do Presidente Lula e sua paixão pelo Corinthians. Falou que foram à Brasília colocar a faixa de campeão no Presidente, foi quando Galvão perguntou a ele, o que é que Lula teria falado ao pé de seu ouvido, como mostrava uma imagem em video. Ronaldo desconversou, dizendo que não lembrava, até soltar a seguinte pérola: “…Lula disse que vai indicar várias empreiteiras para ajudar o timão...”. Santa Ingenuidade……rs….

Depois, colocado de novo na parede, disse que conheceu o palácio quase todo, acompanhado da primeira dama, Dnª Marisa, que até lhe apresentou orgulhosa “…a sua criação de porquinhos da Índia…”. KKKKKK…….(não vai aqui nenhuma crítica política e também nada contra a criação do Cavia Parcellus, mas não consigo imaginar a Dnª Ruth Cardoso, criando estes bichinhos no fundo do Palácio…rsrsrs…)

Aí para fechar com chave de ouro, o fenômeno resolveu sacanear a torcida flamenguista (vamos combinar: isso eu adorei!) colocando sob suspeita o método estatístico que nos tem dado conta de que se trata da maior torcida do Brasil. Galvão, chegou a gelar e se saiu logo com a idéia de que Ronaldo estava só “tirando onda”, de brincadeira. Que nada! Tava falando super sério e deve ter enfurecido os flamenguistas que já devem estar preparando uma “linda” recepção para ele, no Maraca, por ocasião do jogo Flamengo e Corinthians que ainda vai acontecer…

Ronaldo é um exemplo de atleta, de sucesso, de persistência e de vencedor. Não resta nenhuma dúvida! Particularmente, me diverti demais com a sua entrevista e com a forma despretensiosa com que lançava as suas idéias, como se ignorasse a enorme repercussão de tudo que se fala em programa de TV.

Mas, como ele passou a ser admirado por todo o mundo, jogando futebol, algo que nasceu para fazer, acho que deveria ser assim delimitada a nossa análise sobre o fenômeno, independente de bobagens fenomenais que tenha produzido, naquela famigerada noite do “bem amigos”.

Eu gosto do Ronaldo e torço muito por ele. Mas, que Lula deve ter ficado muito puto com ele, ahhh…isso ele ficou….rs…

PS: Alguém saberia onde e quando será a próxima entrevista do fenômeno, hein!?

HSF

Sonegador de impostos deve ser preso?

Tuesday, June 23rd, 2009

A pergunta que não quer calar é a seguinte: um sujeito sonegador de tributos, deveria ser preso, quando descoberto pelo fisco, ainda que se comprometesse a pagar o que deve, com juros e multa?

Para mim a resposta é clara: se o sonegador é contumaz, reincidente, ardiloso e que, de forma manifesta, tenha planejado a sua sonegação por ganância e má-fé, SIM, ele deveria ser preso. Evidente que consideradas as proporções do dano causado ao erário, né?! Isso, para evitar a prisão de “sonegador de galinhas”…..rs…

Esta minha tese, que não é de hoje, contraria os princípios de arrecadação tributária adotados, atualmente, em nosso país. A coisa tem funcionado assim: a pessoa sonega, sonega, sonega e se um dia for pego, paga e fica completamente livre de seu ilícito, uma vez que, para o fisco, perderia a razão de ser, aplicar pena privativa de liberdade a quem pagou o tributo, após ser “convidado” oficialmente a fazê-lo. Tem certo sentido, sim! Mas, por outro lado, isso é um tremendo convite para quem quer ser mais esperto do que aquele contribuinte comum, que paga seus tributos em dia, mesmo sabendo que, nem sempre, terão a devida e necessária destinação.

Fiquei surpreso, todavia, ao ler matéria no Estadão que trata exatamente disso. A turma “boca grande”, da Receita Federal, que até ano passado vinha batendo recordes de arrecadação tributária e o Ministério Público, já está pensando em algo parecido com o ponto de vista que defendo. Em outras palavras, a prosperar esta mudança, vai acabar chegando um momento em que, ficando comprovada a intenção de fraudar o sistema arrecadatório, o “espertão” poderá parar na cadeia e/ou prestar serviços gratuitos à comunidade, além, é claro, do pagamento do que devia com os devidos acréscimos legais. Aí sim, haverá risco de fato para quem sonegar. Aí sim, estaremos falando de uma decisão difícil de ser tomada, considerando prós e contras, ou seja, sonegar ou não?

Literalmente, é pagar para ver….

Veja a matéria na íntegra, aqui.

Se a idéia pegar…

Friday, May 29th, 2009

Este adesivo “não reeleja ninguém”, logo abaixo, eu vi no blog do meu amigo Don Oleari. Não estou 100% de acordo com a idéia, pois acho que uma gota no oceano, de políticos, ainda se salve…rss….

Além disso, creio fortemente na lamentável tese de que há uma falência geral no sistema político brasileiro. Algo precisaria ser mudado, logo. Do jeito que está é quase impossível termos “limpeza” nesta área. Então, se é o sistema o maior responsável, “não reelejer” não seria a melhor solução, pois os erros continuariam….

Mas, que o adesivo é engraçado, disso não tenho a menor dúvida.

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Sarney e o auxílio moradia

Friday, May 29th, 2009

O ex-Presidente do Brasil e atual Presidente do Senado, senador José Sarney, se desculpou por ter dado informações equivocadas acerca de um suposto “auxílio moradia”, que estava sendo, indevidamente, depositado em sua conta.

Por ser uma bagatela mensal de R$ 3.800,00, estes depósitos, naturalmente, estavam passando desapercebidos, desde de o mês (sic) de 2008, como disse o parlamentar, em entrevista.

A gente sabe que poucos políticos conseguem viver somente com aquele salário nominal que consta em seus contra-cheques. Vamos dizer que “negócios paralelos” possam até ser uma prática secular ainda muito presente em nossa República. Mas, a pergunta que faço é: um homem com a estatura política de um José Sarney, precisaria ficar se explicando, na TV, por causa disso!?

Pô, o senador tem casa própria e, além disso, residência oficial em Brasília. Não seria um prato cheio para ele fazer aquilo que os políticos sabem fazer de melhor, ou seja, tirar proveito de algo que não foi criado por eles? Era só avisar ao Brasil, em rede nacional, que haviam depositado um valor que não lhe pertencia e que, apesar de estar devolvendo, ele exigia que o setor responsável desse explicações sobre aquele erro, porque com o dinheiro do povo não se brinca, etc, etc, etc…. Pronto! Ia ser manchete de jornal, só que brilhando em agenda positiva e, não, como se tivesse pungando essa grana da nação.

Como de obtuso Sarney nada tem, só posso atribuir este vacilo como um erro lamentável de assessoria (rs…). Algum assessor deve ter dito a ele assim: “..senador, fique tranquilo, o que é dado não é roubado! Qualquer coisa o senhor diz que “nunca requereu” aquele dinheiro…e tá tudo resolvido”.

Bom….Pelo visto, Sarney acreditou no assessor, pois foi isso mesmo que disse! Esses assessores….